
O relatório final da CPMI do INSS recomendou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação para apurar a possível ligação do deputado federal Silas Câmara com entidades suspeitas de desviar recursos de aposentados e pensionistas no Amazonas. A medida também inclui sua filha, a advogada Milena Ramos Câmara, diante de indícios considerados ainda inconclusivos.
Elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar, o documento não pede o indiciamento do parlamentar, mas sugere o aprofundamento das investigações por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. O relatório aponta que há necessidade de esclarecer elementos que ainda não foram totalmente comprovados.
Entre os pontos citados, o deputado amazonense é mencionado como possível articulador de acordos envolvendo entidades do setor pesqueiro e o Instituto Nacional do Seguro Social. Segundo o relatório, empresas ligadas a essas entidades teriam realizado pagamentos que, somados, chegam a R$ 1,8 milhão.
No caso de Milena Ramos Câmara, a análise de dados bancários indicou movimentações financeiras consideradas atípicas, que ultrapassam R$ 868 mil em operações envolvendo associações ligadas ao esquema investigado.
Outros nomes e entidades
Além do parlamentar amazonense, o relatório também recomenda investigação de outras figuras públicas e instituições. Entre os citados estão o ex-ministro Onyx Lorenzoni e o atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz, além de empresários, líderes religiosos e instituições financeiras.
O documento também aponta possíveis irregularidades envolvendo bancos e entidades que operam crédito consignado, com suspeitas de práticas abusivas e falhas na concessão de empréstimos a beneficiários do INSS.
Com mais de 4 mil páginas, o relatório foi apresentado após o encerramento dos trabalhos da comissão e agora será analisado pela PGR, que decidirá sobre a abertura de investigações formais.
Defesa nega irregularidades
Em manifestação pública, a defesa do deputado Silas Câmara afirmou que ele não foi indiciado pela CPMI e que não há, no relatório, imputação direta de prática de crime.
Segundo a nota assinada pela advogada Flávia Andreola, o documento não apresenta provas de envolvimento do parlamentar em irregularidades, nem comprova recebimento de valores ou vínculo direto com os fatos investigados.
A defesa também afirmou que tomará medidas legais contra a divulgação de informações consideradas distorcidas sobre o conteúdo do relatório.







