A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro pretende pedir a anulação das provas obtidas a partir de seu celular caso seja comprovado que o aparelho sofreu alterações depois de ter sido apreendido pela Polícia Federal. A informação foi confirmada à CNN pelo advogado Sergio Leonardo, responsável pela condução da defesa.

Segundo o advogado, uma eventual comprovação de irregularidades na preservação do dispositivo poderá comprometer não apenas os dados extraídos, mas também outras provas que tenham sido obtidas a partir desse material.

“Uma prova contaminada contamina não só essa prova, mas também todas delas decorrentes. Se isso ficar comprovado, vamos pedir a anulação”, afirmou Leonardo.

Nesta quinta-feira (29), a defesa solicitou acesso ao material bruto da extração realizada pela Polícia Federal. O objetivo é permitir que o perito contratado por Vorcaro compare os dados originais da investigação com as informações analisadas no laudo particular.

“Eu preciso dos dados brutos da extração. Só depois disso o perito pode aferir isso, mas os indícios de prova ilícita são muito fortes”, declarou o advogado.

Defesa aponta possíveis alterações nos arquivos

Em nota encaminhada à imprensa, Sergio Leonardo apresentou quatro pontos que considera relevantes no laudo elaborado pelo especialista contratado pela defesa:

  1. Manuseio do aparelho após a apreensão: o documento aponta que o celular teria sido acessado depois de ficar sob custódia das autoridades.
  2. Alteração de arquivos: centenas de arquivos teriam sido criados ou modificados enquanto o aparelho estava sob custódia estatal.
  3. Registros posteriores à extração: foram identificados arquivos com datas de criação ou modificação seis meses depois da extração. A defesa questiona a ausência de explicações técnicas nos autos para essas alterações.
  4. Cadeia de custódia: o advogado afirma que há falhas na documentação dos procedimentos de preservação e controle do material apreendido.

Defesa pode pedir retirada das provas do processo

Sergio Leonardo afirmou que, caso a perícia confirme a existência de prova ilícita, solicitará ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a retirada do material dos autos.

“Sendo ilícito, vamos requerer ao Supremo que determine que sejam retirados dos autos e não possa esse celular ser considerado para nenhuma decisão judicial, nem dessa prova em si nem nenhuma que delas decorra”, afirmou.

Até o momento, os apontamentos apresentados correspondem à análise técnica contratada pela defesa. A comparação com os dados brutos da extração da Polícia Federal deverá permitir uma avaliação mais detalhada das alegações.

Artigo anteriorFrança mobiliza 70 mil agentes para conter protestos previstos para o Halloween
Próximo artigoPolícia investiga esquema de venda de dados de pessoas mortas para funerárias em São Paulo