Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, é acusado de fuga em carrinho de golfe • Reprodução: Redes sociais/Relatório PF

A defesa de Felipe Vorcaro, primo do empresário e controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma perícia particular que contesta a conclusão da Polícia Federal sobre uma suposta tentativa de evasão antes do cumprimento de mandados da Operação Compliance Zero.

Segundo relatório encaminhado anteriormente pela PF, Felipe Vorcaro teria deixado sua residência em Trancoso, no sul da Bahia, em um carrinho de golfe momentos antes da chegada dos agentes responsáveis pela segunda fase da operação, realizada em janeiro de 2026.

A conclusão dos investigadores foi baseada em imagens captadas por câmeras de segurança da propriedade, que registraram dois indivíduos circulando na área externa da residência pouco antes da ação policial. No documento, a PF classificou um dos homens, identificado como “P1”, como alguém com características físicas compatíveis com as de Felipe Vorcaro.

Defesa apresenta versão diferente

No entanto, o laudo pericial contratado pela defesa sustenta que nenhum dos indivíduos filmados seria Felipe Vorcaro.

De acordo com os especialistas responsáveis pela análise, a pessoa identificada como “P1” seria Kelson de Oliveira, pai da esposa do investigado, que estava hospedado na residência na ocasião. Já o segundo indivíduo, identificado como “P2”, seria Eduardo Phillipe Dantas Cunha Melo, também hóspede da casa.

Os peritos atribuíram grau “-1” à hipótese de que P1 seja Felipe Vorcaro e grau “-2” à hipótese de que P2 seja o investigado. Segundo a metodologia utilizada, essas classificações indicam contradição fraca e moderada, respectivamente, em relação à possibilidade de identidade entre os indivíduos filmados e o alvo da investigação.

Questionamentos sobre análise da PF

A defesa também argumenta que as próprias imagens demonstram o retorno do carrinho de golfe à residência pouco tempo após a chegada dos policiais, com os mesmos ocupantes registrados anteriormente.

Segundo os advogados, esse elemento enfraqueceria a tese de que houve uma tentativa deliberada de fuga ou ocultação por parte do investigado.

Outro ponto levantado no documento diz respeito à metodologia empregada pela Polícia Federal. Os peritos afirmam que a análise teria sido realizada com base em imagens estáticas extraídas das gravações, e não nos vídeos originais das câmeras de segurança.

Na avaliação da defesa, essa limitação compromete a precisão da identificação dos indivíduos e reduz a confiabilidade de conclusões definitivas sobre quem aparece nas imagens.

O laudo conclui que as características morfológicas observadas não são suficientes para associar Felipe Vorcaro aos personagens identificados pela PF e que os elementos analisados tendem a afastar essa possibilidade.

O caso segue sob análise das autoridades e integra as investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.

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