
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) vai realizar a extração e análise dos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos na residência da empresária e ex-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo Seffair (PL), para investigar se ela teve participação na divulgação de conteúdos envolvendo a filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD). A informação foi confirmada pelo delegado Marcelo Martins, que assumiu a presidência do inquérito nesta semana e conversou com jornalistas após o cumprimento do mandado de busca e apreensão, na manhã desta sexta-feira (6), no bairro Vieiralves, zona centro-sul de Manaus.
Durante a entrevista, Martins destacou que uma das principais linhas de investigação é descobrir se Maria do Carmo tinha conhecimento do material divulgado em sua própria rede social e se autorizou a publicação. Segundo o delegado, a apreensão do celular da ex-candidata permitirá aprofundar a apuração e esclarecer seu eventual envolvimento no episódio.
“Uma parte dessa investigação apura se a Maria do Carmo efetivamente participou, qual foi o nível de participação dela. Essa postagem foi feita na rede social dela mesma, então presume-se que ela, em algum momento, avaliou esse material e permitiu que fosse postado”, afirmou.
O delegado ressaltou, entretanto, que a defesa da empresária sustenta que ela desconhecia o conteúdo publicado.
“Os advogados alegam que ela não sabia, mas a apreensão do celular dela agora vai nos permitir aprofundar essa questão e desvendar todos os detalhes desse caso”, declarou Marcelo Martins.
Polícia vai analisar dados dos aparelhos apreendidos
De acordo com o delegado, os equipamentos recolhidos durante a operação serão submetidos à extração de dados para identificar possíveis elementos que contribuam para esclarecer os fatos investigados.
“Agora nós vamos fazer a extração de dados desses dispositivos eletrônicos e vamos fazer a análise desse material para ver se a gente encontra alguma prova do crime que foi praticado contra a figura do governador Omar Aziz”, explicou.
A investigação apura possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), relacionadas à divulgação e à suposta manipulação de imagens envolvendo a filha adolescente do governador eleito durante a campanha eleitoral.
A análise dos dispositivos poderá ajudar os investigadores a esclarecer quem teve acesso ao conteúdo, como ocorreu sua divulgação e se houve participação ou autorização da ex-candidata.
Delegado relata discussões durante operação na casa de Maria do Carmo
Outro ponto que chamou a atenção na entrevista foi a declaração de Marcelo Martins sobre dificuldades enfrentadas pelos policiais durante o cumprimento do mandado judicial.
Questionado se Maria do Carmo estava colaborando com as investigações, o delegado revelou que houve discussões durante a diligência, inclusive após a chegada da empresária à residência.
“Nós tivemos alguns problemas durante a execução do mandado. Depois eu vou compartilhar os vídeos com vocês, porque nós filmamos o cumprimento do mandado para nossa segurança, e vocês vão ver no vídeo que teve ali algumas discussões”, relatou.
Martins acrescentou que a chegada da ex-candidata também provocou um momento de tensão, mas garantiu que a situação foi controlada pelos policiais.
“No momento que ela chegou teve algum problema também, mas a gente conseguiu contornar e a ordem judicial foi cumprida”, afirmou.
O delegado não detalhou o motivo das discussões nem informou se houve alguma medida adicional em decorrência dos episódios.
Marcelo Martins assumiu investigação nesta semana
Designado para assumir a presidência do inquérito na quarta-feira (4), Marcelo Martins afirmou que já analisou integralmente o procedimento investigativo e que outras diligências ainda serão realizadas.
“Já li o procedimento inteiro e agora vamos coletar essas provas. A gente vai estudar mais ainda os dados que está obtendo sobre essa investigação. Tem diligências ainda que, naturalmente, têm que ser feitas”, explicou.
Martins também é titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e passou a atuar no caso por determinação da Delegacia Geral da Polícia Civil do Amazonas.
A investigação tramita no âmbito da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Busca foi autorizada após decisão do TJAM
A operação desta sexta-feira ocorreu após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) revogar uma liminar que havia suspendido temporariamente o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Maria do Carmo.
A decisão foi assinada pelo desembargador Paulo Feitoza, que considerou necessária a realização da diligência para preservar possíveis provas digitais relevantes para a investigação.
No dia 29 de outubro, a Polícia Civil já havia realizado buscas em endereços ligados a integrantes da equipe de campanha da ex-candidata, em Manaus e São Paulo.
A defesa de Maria do Carmo sustenta que ela não tinha conhecimento da publicação investigada e que havia se colocado espontaneamente à disposição das autoridades.
Os advogados também apresentaram um pedido de habeas corpus preventivo para evitar uma eventual prisão da empresária. A autorização para a busca e apreensão não representa uma decisão sobre esse pedido.
Omar Aziz prometeu responsabilização por ataques à filha
A investigação ganhou repercussão após Omar Aziz denunciar publicamente ataques contra sua filha adolescente durante a campanha eleitoral.
Na noite de 25 de outubro, após vencer o segundo turno das eleições para o Governo do Amazonas, o político afirmou que acionaria a Justiça para responsabilizar os envolvidos na divulgação de conteúdos que, segundo ele, atingiram sua família.
O governador eleito declarou que não aceitaria a exposição de sua filha menor de idade como instrumento de disputa política.
Com a apreensão dos equipamentos eletrônicos nesta sexta-feira, a Polícia Civil inicia uma nova etapa da investigação, concentrada na análise das provas digitais e na identificação de eventuais responsabilidades.
Até o momento, a participação de Maria do Carmo nos fatos investigados não foi comprovada. A ex-candidata tem direito à presunção de inocência, e a apuração segue em andamento.







