
O delegado da Polícia Civil do Amazonas John Allan Cunha Castilho, de 29 anos, titular da Delegacia de Manacapuru, e um investigador como Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, apontado como chefe de investigação da unidade, foram presos preventivamente nesta quarta-feira (26), em Manaus, no âmbito de uma operação que investiga a participação de policiais em um esquema envolvendo o roubo de R$ 800 mil e 30 quilos de ouro, em Boa Vista (RR).
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) confirmou, por meio de nota, que um delegado e um investigador da instituição foram alvos da operação e informou que está acompanhando o caso e colaborando com as investigações. A corporação também anunciou que a conduta dos servidores será apurada pela Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública.
A nova etapa da investigação está relacionada a um crime ocorrido em 29 de março de 2026, em uma residência no bairro Caçari, Zona Leste de Boa Vista. Conforme as apurações, uma falsa abordagem policial teria sido montada para tomar tanto o dinheiro de um comprador quanto uma carga de ouro que estava sendo negociada.
Até o momento, não foram divulgados oficialmente detalhes sobre qual teria sido a participação específica do delegado e do investigador lotados em Manacapuru no suposto esquema.
PC-AM confirma operação e anuncia apuração interna
Em nota encaminhada à imprensa, a Polícia Civil amazonense informou que acompanha a operação deflagrada nesta quarta-feira e confirmou que os alvos pertencem aos quadros da instituição.
“A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informa que está acompanhando a operação deflagrada, nesta quarta-feira (26/08), pela Polícia Federal (PF), que teve como alvos um delegado e um investigador da instituição, e que está colaborando com as investigações”, diz trecho da manifestação.
A instituição acrescentou que “não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta por parte de seus servidores”.
Segundo a PC-AM, o caso será encaminhado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública, responsável pela apuração administrativa da conduta dos policiais.
Esquema teria usado viatura e falsa abordagem policial
A investigação aponta que o grupo teria utilizado uma viatura oficial descaracterizada, armas, distintivos e roupas semelhantes às utilizadas pela Polícia Civil para simular uma abordagem durante uma negociação envolvendo ouro.
O crime teria ocorrido justamente no momento em que o minério e o dinheiro estavam reunidos na residência do influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, de 33 anos, conhecido como “Itz Ivan”.
Segundo as apurações, Ivan atuava como intermediador na comercialização de ouro. Ele receberia o minério de garimpeiros, buscaria compradores e ficaria com uma comissão pelas negociações.
No episódio investigado, porém, a suspeita é de que tenha sido planejado um golpe para ficar tanto com os 30 quilos de ouro quanto com os R$ 800 mil em espécie apresentados pelo comprador.
Influenciador foi preso em Florianópolis
Ivan foi preso na sexta-feira (21), em Florianópolis (SC), para onde teria se mudado após o crime. Durante a ação, policiais apreenderam celulares, computadores e um carro de luxo.
Ele é apontado na investigação como possível operador financeiro de um esquema de lavagem de dinheiro.
Outro investigado é o policial civil de Roraima Marcelo Henrique Sobral, de 51 anos, apontado nas apurações como responsável por recrutar policiais para participar da ação.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, Sobral acabou preso em flagrante por suspeita de fraude processual depois de danificar o próprio aparelho celular. Conforme as informações divulgadas sobre a investigação, uma fiança chegou a ser arbitrada, mas não teria sido paga.
Além de Ivan e Sobral, outras pessoas também foram alcançadas por medidas judiciais durante as investigações.
Justiça determinou bloqueio milionário
A apuração teve início em janeiro de 2026 e passou a investigar a possível utilização de uma viatura da Polícia Civil de Roraima em ações criminosas.
No decorrer da investigação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens, imóveis e valores atribuídos aos investigados.
As investigações abrangem outros roubos e apontam prejuízos milionários.
Com a operação chegando ao Amazonas nesta quarta-feira, as investigações passam agora a buscar esclarecimentos sobre a eventual participação dos dois policiais lotados em Manacapuru. As responsabilidades individuais ainda dependem da conclusão das investigações, e as prisões cautelares não representam condenação.







