
A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) prendeu, nesta terça-feira (26), o policial civil Enoque Sarah de Lima Galvão, de 44 anos, em Manaus. Ele é irmão do treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão, investigado por uma série de denúncias envolvendo crimes sexuais contra adolescentes e mulheres.
A ordem de prisão temporária foi expedida pela Justiça do Amazonas no âmbito de uma investigação que reúne suspeitas de fraude processual, favorecimento real, falso testemunho, importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável. Após ser detido, Enoque foi encaminhado para audiência de custódia.
De acordo com a Polícia Civil, o servidor já estava afastado das funções operacionais desde o início de maio após surgirem indícios de que teria facilitado a entrada irregular de uma pessoa na unidade prisional onde Melqui Galvão permanecia custodiado.
As suspeitas começaram após a corporação receber informações de que o treinador teria participado de uma videochamada de dentro da unidade. A partir disso, a polícia realizou inspeções internas e uma vistoria acompanhada pelo Ministério Público para verificar possíveis irregularidades.
Segundo a Polícia Civil, os levantamentos apontaram indícios de participação de Enoque na facilitação do acesso de terceiros não autorizados ao local. Paralelamente à investigação criminal, o policial também passou a responder a procedimentos disciplinares instaurados pela Corregedoria-Geral da instituição.
As investigações envolvendo Melqui Galvão tiveram início após uma ex-aluna de 17 anos denunciar atos libidinosos supostamente praticados pelo treinador durante uma competição esportiva internacional. A adolescente, que atualmente mora nos Estados Unidos, prestou depoimento junto aos familiares.
No decorrer das apurações, outras possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. Conforme a polícia, uma delas relatou que tinha apenas 12 anos quando os abusos teriam ocorrido.
Ainda segundo os investigadores, gravações entregues às autoridades indicariam tentativas do suspeito de impedir o avanço das denúncias por meio de promessas de compensação financeira às vítimas.
Além do mandado de prisão temporária contra Melqui, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao treinador em Jundiaí, no interior de São Paulo. O investigado havia retornado ao Amazonas menos de 24 horas antes do cumprimento da ordem judicial.
Melqui Galvão é conhecido no cenário esportivo amazonense por atuar como faixa-preta e treinador de jiu-jitsu em Manaus. Ele também exercia a função de instrutor de defesa pessoal da Polícia Civil do Amazonas, cargo do qual foi afastado cautelarmente enquanto as investigações seguem em andamento.







