Divulgação/Semed

A Secretaria Municipal de Educação realizou, nesta quinta-feira, o “Dia D – Interculturalidade e Autodeclaração Indígena” na escola municipal Professor Paulo Cesar da Silva Nonato, localizada na comunidade Nova Esperança, zona ribeirinha da capital. A iniciativa é desenvolvida desde 2024 pela Gerência de Educação Escolar Indígena, e acontece em todas as unidades da rede municipal de ensino, com o objetivo de fortalecer a valorização das culturas indígenas no ambiente escolar.

Antes da implementação do projeto, havia o registro de 529 estudantes autodeclarados indígenas na rede municipal. Após a mobilização, esse número aumentou para 1.254 estudantes. O “Dia D – Interculturalidade e Autodeclaração Indígena” busca promover ações interculturais nas escolas municipais, incentivando o diálogo, a troca de experiências e a reflexão sobre as culturas indígenas. A proposta também proporciona a estudantes, professores e à comunidade escolar a oportunidade de conhecer e interagir com diferentes povos indígenas, especialmente das comunidades próximas às unidades de ensino, além de fortalecer o processo de autodeclaração.

O diretor do Departamento de Apoio à Gestão Escolar, Luiz Oliveira, ressaltou que essa atividade promove o respeito às identidades culturais. “Quando falamos de interculturalidade e autodeclaração indígena, tratamos de respeito. Não se trata de inserir esses povos em uma cultura majoritária, mas de reconhecer e valorizar suas origens. É importante que o aluno se autoidentifique e se sinta parte da sociedade, enquanto a sociedade deve ouvir, respeitar e aceitar essa identidade. Esse avanço contribui para que o estudante se sinta mais seguro para se autodeclarar”, enfatizou.

De acordo com a gerente da Gerência de Educação Escolar Indígena, Cila Mariá Fonseca, a autodeclaração indígena é fundamental para o reconhecimento dos estudantes na rede municipal, pois garante que estes tenham seus direitos respeitados. “Ao se autodeclarar e manter o cadastro atualizado, o aluno assegura sua identificação na rede e o acesso a direitos. Esta já é a terceira edição do Dia D, que começa agora, mas se estende ao longo de 2026, permitindo a atualização dos dados e ajudando a Semed a identificar onde estão os estudantes indígenas”, destacou.

A moradora da comunidade Brenda Adria Souza, mãe de duas alunas do 1º e do 9º ano, destacou a importância da ação para sua família. “Esse Dia D é muito importante para nós. Minhas filhas são autodeclaradas indígenas, e esse momento representa um reconhecimento significativo da nossa identidade e da nossa cultura. Fico muito feliz em ver essa valorização, que fortalece nossas raízes e o pertencimento delas à sociedade”, concluiu.

O “Dia D da Autodeclaração Indígena” foi realizado em abril de 2024, marcando o mês de celebração do Dia dos Povos Indígenas. Em 2025, o evento passou a se chamar “Dia D – Interculturalidade e Autodeclaração Indígena nas Escolas da rede municipal de ensino”. Ao longo desses dois anos, a ação teve como principal objetivo incentivar pais e/ou responsáveis a autodeclararem os estudantes indígenas de seu núcleo familiar, contribuindo, assim, para a valorização da diversidade cultural, o combate ao racismo estrutural e a promoção de um ambiente escolar mais inclusivo e acolhedor.

A iniciativa também possibilitou a visualização de um panorama do número de estudantes indígenas matriculados na rede municipal de ensino, além da criação de um banco de dados essencial para o planejamento de futuras ações voltadas às políticas públicas para os povos originários. Entre essas ações, destaca-se o acompanhamento do rendimento escolar desses estudantes pela Gerência de Educação Escolar Indígena.

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