VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo Senado Federal nesta quarta-feira (29). O placar terminou com 42 votos contrários e 34 favoráveis, marcando a primeira rejeição de um indicado ao STF em mais de 130 anos.

A derrota representa um duro revés político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que agora terá de buscar um novo nome para ocupar a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, aposentado desde outubro de 2025.

Mesmo após conseguir aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias não repetiu o desempenho no plenário. Para assumir a cadeira no Supremo, ele precisava de pelo menos 41 votos favoráveis.

A articulação contrária ganhou força entre parlamentares da oposição, liderados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e também enfrentou resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que nunca escondeu o desconforto com a escolha feita pelo Palácio do Planalto.

Durante a sabatina, Messias defendeu mudanças no funcionamento do STF, criticou decisões individuais de ministros e declarou posição contrária ao aborto. Apesar do discurso alinhado a setores conservadores, o AGU não conseguiu conquistar apoio suficiente para garantir a aprovação.

Nos bastidores, a relação desgastada entre o governo e Davi Alcolumbre também pesou na votação. O presidente do Senado defendia outro nome para a vaga e evitou atuar diretamente em favor de Messias durante toda a tramitação da indicação.

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