Celebrado em 17 de agosto, o Dia Nacional do Patrimônio Histórico é uma oportunidade para refletir sobre a importância de preservar não apenas edifícios e monumentos, mas também as paisagens, manifestações culturais, saberes, tradições e memórias que ajudam a construir a identidade de uma sociedade.

No Amazonas, essa discussão ganha uma dimensão ainda maior diante da diversidade cultural e territorial dos 62 municípios. Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, a preservação deve considerar as particularidades de cada localidade e a relação da população com o território.

“Celebrar o Dia do Patrimônio Nacional é muito mais do que reconhecer a história de um povo. Também está inserida a questão do território, dos edifícios, da paisagem, das manifestações culturais, do modo de fazer, das festas, das memórias e das relações que a comunidade estabelece com o lugar que vive”, destaca.

Com experiência profissional em órgãos de cultura e no planejamento territorial, incluindo atuação em Manaus, no Amazonas e como consultora sênior em Benjamin Constant, Melissa ressalta que preservar não significa simplesmente manter estruturas antigas, mas compreender o significado que determinado patrimônio possui para a sociedade.

“Preservar não significa simplesmente conservar edifícios antigos. Significa compreender o valor que determinado bem possui para a sociedade e garantir que essa memória possa continuar fazendo parte da vida das futuras gerações”, afirma.

Segundo a arquiteta, o patrimônio amazonense vai muito além da capital. Igrejas, prédios públicos, mercados, praças, portos, caminhos, paisagens, sítios arqueológicos, festas, artesanato, culinária, música e saberes tradicionais fazem parte de um patrimônio que conta a história de diferentes comunidades.

“Cada município amazonense tem a sua própria história, sua identidade e seu patrimônio. Precisamos olhar para cada município e reconhecer as suas singularidades, as suas histórias, os seus patrimônios”, enfatiza.

Educação patrimonial

Para Melissa, um dos caminhos para fortalecer a preservação é ampliar o conhecimento da população sobre o patrimônio. Nesse sentido, a educação patrimonial pode contribuir para aproximar crianças, jovens e comunidades de sua própria história.

“Eu realmente acredito que a preservação sempre começa pelo conhecimento. A gente precisa conhecer para preservar. Quando uma criança conhece a história de uma praça, de uma antiga edificação, ela passa a olhar para aquele lugar de outra maneira. Ela deixa de enxergar um objeto, um espaço, e passa a reconhecer que ali faz parte da sua própria história”, explica.

A arquiteta também defende que a preservação esteja integrada ao planejamento urbano. Para ela, arquitetos e urbanistas possuem papel estratégico nesse processo, já que o patrimônio está diretamente relacionado à paisagem e à vida cotidiana das cidades.

“Preservar o patrimônio deve estar integrado ao planejamento urbano, porque patrimônio não é algo isolado da cidade. Ele faz parte da paisagem, da vida do cotidiano e da construção do futuro”, ressalta.

A reflexão, segundo Melissa, deve alcançar tanto Manaus quanto os municípios do interior, incluindo localidades como Benjamin Constant, Itacoatiara e Rio Preto da Eva, entre tantas outras.

“Preservar é conhecer e conhecer é reconhecer. E reconhecer é assumir a responsabilidade de cuidar. Que cada município do Amazonas possa conhecer, valorizar e proteger aquilo que conta sua história. Porque preservar o patrimônio é, acima de tudo, preservar a nossa identidade e garantir que a memória continue viva no território”, conclui.

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