Juan Gaertner/Science Photo Library/Getty Images

Fraqueza para segurar objetos, tropeços frequentes, cãibras persistentes e alterações na fala podem parecer consequências do envelhecimento, do estresse ou de outros problemas de saúde. No entanto, em alguns casos, esses sinais representam as primeiras manifestações da esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo.

Neste Dia Mundial de Conscientização sobre a ELA, especialistas chamam atenção para um dos principais desafios relacionados à doença: o longo período necessário para chegar ao diagnóstico correto.

O que é a ELA?

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença progressiva que provoca a degeneração dos neurônios motores, responsáveis por transmitir os comandos do cérebro aos músculos do corpo.

Com a evolução da doença, funções como caminhar, falar, engolir e respirar tornam-se gradualmente comprometidas. A ELA costuma surgir entre os 55 e os 75 anos de idade.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 90% dos casos não apresentam uma causa conhecida, enquanto menos de 10% possuem origem hereditária.

Apesar do comprometimento motor, a doença geralmente não afeta a memória, a inteligência, a visão, a audição, o olfato, o paladar ou a sensibilidade ao toque.

Por que o diagnóstico demora?

Um dos principais obstáculos é a inexistência de um exame único capaz de confirmar a doença. O diagnóstico depende da avaliação clínica, da evolução dos sintomas e da exclusão de outras condições neurológicas que apresentam sinais semelhantes.

De acordo com o neurologista Paulo Sgobbi, especialista em doenças neuromusculares, a investigação exige uma análise cuidadosa.

“A ELA é uma doença de difícil diagnóstico. Não há um único teste que a confirme, então é um processo de investigação minucioso para descartar outras condições.”

Muitos pacientes passam por diferentes especialistas antes de serem encaminhados a um neurologista, o que contribui para o atraso no diagnóstico.

Sintomas podem ser confundidos

Nas fases iniciais, os sintomas podem ser discretos e facilmente atribuídos a outras causas. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Fraqueza progressiva nos braços ou nas pernas;
  • Dificuldade para segurar objetos;
  • Tropeços e quedas frequentes;
  • Cãibras persistentes;
  • Contrações musculares involuntárias;
  • Alterações na fala;
  • Dificuldade para engolir.

Segundo especialistas, a piora gradual dos sintomas ao longo do tempo é um dos principais sinais de alerta.

A neurologista Inara Taís de Almeida destaca que diversas doenças neurológicas podem apresentar manifestações semelhantes, tornando a avaliação especializada fundamental para o diagnóstico correto.

A importância do diagnóstico precoce

Embora a ELA ainda não possua cura, o diagnóstico precoce permite que pacientes e familiares tenham acesso mais rápido ao acompanhamento médico e ao suporte multiprofissional.

O tratamento envolve neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais que atuam na preservação da funcionalidade e da qualidade de vida.

Segundo os especialistas, identificar a doença nos estágios iniciais possibilita organizar melhor os cuidados e oferecer intervenções que auxiliam o paciente ao longo da evolução da enfermidade.

Conscientização pode reduzir atrasos

A ampliação do conhecimento sobre os sinais da ELA é considerada uma das principais estratégias para diminuir o tempo até o diagnóstico.

Nem toda fraqueza muscular ou alteração motora significa esclerose lateral amiotrófica. Entretanto, sintomas progressivos e persistentes devem ser investigados por profissionais especializados.

O reconhecimento precoce da doença permite acesso mais rápido ao tratamento, à reabilitação e ao suporte necessário para pacientes e familiares, contribuindo para uma melhor qualidade de vida ao longo do acompanhamento.

Com informações de Metrópoles

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