Donald Trump, presidente dos Estados Unidos • Foto: REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma das maiores derrotas políticas de seu segundo mandato após o Partido Democrata conquistar, nas eleições legislativas realizadas nesta terça-feira (3), a maioria das cadeiras da Câmara dos Representantes e do Senado. O resultado, confirmado nesta quarta-feira (4), encerra o domínio republicano sobre o Congresso americano e impõe um novo cenário de dificuldades para o governo.

A vitória democrata foi marcada por resultados expressivos em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Kansas e Carolina do Sul, onde candidatos da oposição conseguiram derrotar adversários apoiados por Trump.

Com o controle das duas casas legislativas a partir de janeiro de 2027, os democratas terão condições de barrar projetos do presidente, ampliar a fiscalização sobre seu governo e dificultar a aprovação de indicações para cargos importantes da administração federal e do Judiciário.

O resultado também é interpretado como uma demonstração de insatisfação de parte significativa do eleitorado americano com a condução da economia, o aumento do custo de vida e decisões adotadas pela Casa Branca.

Democratas conquistam sete cadeiras republicanas no Senado

Uma das maiores surpresas da eleição ocorreu no Senado, onde os democratas conseguiram reverter a vantagem que os republicanos mantinham desde a eleição presidencial de 2024.

O partido conquistou sete cadeiras anteriormente ocupadas por republicanos nos estados do Texas, Kansas, Iowa, Maine, Ohio, Carolina do Norte e Carolina do Sul.

No Texas, considerado um dos principais redutos conservadores dos Estados Unidos, o democrata James Talarico venceu a disputa pelo Senado, encerrando um período de quase quatro décadas sem que o estado elegesse um senador do partido.

Outro resultado histórico ocorreu no Kansas, onde Adam Hamilton derrotou o republicano Roger Marshall. O estado não elegia um democrata para o Senado desde 1932.

As vitórias representam uma mudança significativa no mapa político americano e demonstram que a insatisfação com o governo ultrapassou os estados tradicionalmente favoráveis à oposição.

Derrota de Trump muda equilíbrio de poder em Washington

A perda simultânea da Câmara e do Senado representa um duro golpe para Donald Trump, que contava com maiorias republicanas no Congresso para avançar com sua agenda política.

A partir de janeiro, quando os parlamentares eleitos assumirem seus mandatos, o presidente enfrentará maior resistência para aprovar projetos de lei, propostas orçamentárias e outras medidas consideradas prioritárias.

O Senado também terá poder para bloquear indicações presidenciais, incluindo ministros, integrantes do governo e magistrados de tribunais federais.

Na Câmara dos Representantes, a maioria democrata poderá abrir investigações parlamentares sobre decisões administrativas, contratos e possíveis conflitos de interesses envolvendo integrantes do governo.

Apesar da derrota, Trump continuará com o poder de veto presidencial, o que significa que poderá impedir a entrada em vigor de determinadas leis aprovadas pelo Congresso.

Economia e custo de vida pesaram na votação

A preocupação dos americanos com a economia esteve entre os principais fatores que influenciaram o resultado eleitoral.

Segundo levantamentos realizados com eleitores, o aumento do custo de vida, a insatisfação com a política econômica e as consequências da guerra com o Irã contribuíram para o desgaste do governo.

Uma pesquisa de boca de urna apontou que aproximadamente 70% dos eleitores desejavam que o Congresso exercesse maior controle sobre as decisões do presidente.

O levantamento também identificou que cerca de metade dos entrevistados enxergava a eleição como uma oportunidade de manifestar insatisfação com Donald Trump.

Durante a campanha, o presidente participou de eventos e pediu apoio aos candidatos republicanos, chegando a orientar seus eleitores a votarem como se ele próprio estivesse disputando a eleição.

A estratégia, no entanto, não foi suficiente para impedir a vitória democrata.

Trump reage e diz que venceria se estivesse na disputa

Após os primeiros resultados indicarem uma derrota expressiva de seu partido, Donald Trump afirmou nas redes sociais que o cenário seria diferente caso seu nome estivesse nas urnas.

O presidente declarou que não participou diretamente da eleição e sustentou que teria conquistado uma vitória por ampla margem se fosse candidato.

Posteriormente, em entrevista à Fox News, reconheceu o resultado e parabenizou os democratas, sinalizando disposição para negociar determinadas pautas, embora tenha afirmado que poderá vetar propostas consideradas inaceitáveis.

Do lado democrata, o líder Chuck Schumer comemorou a vitória no Senado e afirmou que o eleitorado americano votou por mudanças.

Resultado terá impacto nos dois últimos anos do mandato

As eleições de meio de mandato, conhecidas nos Estados Unidos como midterms, ocorrem dois anos após a eleição presidencial e servem para renovar toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado.

Embora Trump permaneça na Presidência até janeiro de 2029, a nova composição do Congresso deverá limitar sua capacidade de implementar medidas sem negociação com a oposição.

A vitória democrata também modifica o cenário político para as eleições presidenciais de 2028, quando os americanos escolherão o sucessor de Trump.

Com o Congresso sob controle da oposição, os próximos dois anos deverão ser marcados por disputas legislativas, investigações e negociações entre a Casa Branca e os líderes democratas.

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