
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a fazer sinalizações ao mercado financeiro após semanas de pressão por medidas que garantam o equilíbrio das contas públicas. O mercado reagiu muito mal nas últimas semanas ao resultado das eleições presidenciais e vem registrando índices negativos desde a vitória do petista.
Nesse período, a bolsa de valores perdeu mais de 30 mil pontos. O dólar, que estava abaixo de R$ 5, disparou e encerrou a quinta-feira (5/11) no patamar de R$ 5,48.
Somado ao cenário, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de cortes. O colegiado aponta a política fiscal do governo como um fator para a decisão.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
Pressionado, Lula falou pela primeira vez sobre o tema nessa quinta durante uma reunião no Palácio do Planalto. Sem citar as tensões com o mercado, ele defendeu que é preciso ter “seriedade” e responsabilidade jurídica e fiscal para atrair investimentos para o Brasil.
Ele também afirmou que a atração de capital depende de uma “economia arrumada”.
“Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada”, disse o petista.
A declaração sinaliza um ajuste de tom em relação à postura adotada ao longo do mandato e da campanha eleitoral. Em discursos, Lula costuma fazer duras críticas à Faria Lima, embora tenha dito repetidas vezes que tem compromisso com a responsabilidade fiscal.
Historicamente, o titular do Planalto defende equilibrar a política econômica da gestão com gastos no social.
Mais acenos
Além da declaração, o petista tem feito gestos com o objetivo de acalmar o mercado. Na quinta (5/11), ele se reuniu com ministros e economistas para debater saídas para melhorar as contas públicas.
Estiveram presentes autoridades da área econômica do governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Esther Dweck (Gestão e Inovação), além do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Aloizio Mercadante.
Lula também convocou os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, e os economistas Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES), Laura Carvalho e Eduardo Moreira.
O encontro, no entanto, terminou sem uma decisão definitiva. O ministro Dario Durigan afirmou que vai se reunir com outros economistas, representantes da sociedade civil e agentes do mercado para reunir sugestões e apresentar propostas ao presidente.
Lula também gravou pronunciamento no qual aborda a questão das contas públicas. Como mostrou o Metrópoles, na coluna Igor Gadelha, o presidente deve assumir um compromisso com “sustentabilidade” das contas públicas, mas não detalha medidas. A declaração vai ao ar na noite deste domingo (8/11).
Apesar da pressão, o presidente vai adiar o anúncio de medidas por pelo menos uma semana. A expectativa é que o assunto só volte a ser discutido na volta da viagem que ele fará à Turquia e às Filipinas, para participar da COP31 e da Cúpula da Asean. O petista viaja na segunda (9/11) e deve retornar no dia 16. Com Metrópoles.







