O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) endureceu o discurso contra o crime organizado durante comício realizado nesta sexta-feira (11), em Manaus, e afirmou que integrantes de facções terão dois destinos caso seja eleito: “ou vocês vão ser presos, ou serão neutralizados”. Em uma fala marcada por propostas na área de segurança pública, o presidenciável também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos, a abertura de mais de meio milhão de vagas em presídios e a castração química de estupradores e abusadores.

O evento ocorreu no Ducila Festas e Convenções, na zona oeste de Manaus, e reuniu a candidata do PL ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair, o candidato ao Senado Alberto Neto, além de candidatos a deputado federal e estadual e apoiadores.

Ao falar sobre segurança, Flávio afirmou que organizações criminosas estariam ampliando sua atuação pelo país e avançando sobre territórios na Amazônia, inclusive com envolvimento na exploração ilegal de ouro.

“PCC, Comando Vermelho e milícia estão tomando ruas, cidades, estados. Tem Comando Vermelho até garimpando ouro na Terra Yanomami, em Roraima. Esses narcoterroristas não vão ter vida fácil”, declarou.

Em seguida, mandou um recado direto aos integrantes de organizações criminosas.

“Quero avisar que, a partir de janeiro do ano que vem, ou vocês vão ser presos ou neutralizados”, afirmou.

Maioridade penal aos 16 e mais vagas em presídios

A segurança pública ocupou parte significativa do discurso do candidato. Além do enfrentamento às facções, Flávio defendeu que adolescentes a partir dos 16 anos que pratiquem crimes passem a responder criminalmente como adultos.

“O menor de idade já comete crime sabendo o que está fazendo. Então, vai responder como adulto”, disse.

Paralelamente, defendeu que jovens possam obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) a partir dos 16 anos.

Flávio também prometeu endurecer as punições para crimes praticados contra mulheres e crianças e defendeu a castração química de estupradores e abusadores.

Para enfrentar o déficit do sistema penitenciário, o candidato falou em criar mais de meio milhão de vagas em presídios. Segundo ele, os detentos também deverão trabalhar para ajudar a custear suas despesas enquanto estiverem presos.

De crítico a defensor da Zona Franca

Outro momento de destaque do comício ocorreu quando Flávio Bolsonaro falou sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM). Três anos depois de criticar aspectos do modelo durante as discussões da reforma tributária no Senado, o candidato adotou um discurso de defesa dos incentivos diante do eleitorado amazonense.

“A Zona Franca é 100% orgulho nacional e eu, junto com a professora Maria do Carmo, a gente vai melhorar ainda mais a Zona Franca”, declarou.

Flávio afirmou que pretende ampliar a importância do modelo para o restante do país.

“Zona Franca de Manaus é muito pouco. É Zona Franca do Brasil, porque ela vai ser do Brasil inteiro”, afirmou.

O candidato também prometeu atrair novos investimentos para o Polo Industrial de Manaus, especialmente nos setores de tecnologia e data centers, associando os empreendimentos à qualificação profissional e à geração de empregos para jovens.

“Vamos atrair novos empreendimentos da parte de tecnologia, data center, para os nossos jovens se qualificarem e poderem trabalhar aqui”, disse.

A manifestação ocorre três anos depois de Flávio ter feito críticas aos benefícios da Zona Franca durante a tramitação da reforma tributária e ironizado, em 2023, a perspectiva de Manaus se transformar em um novo “Vale do Silício”.

Nesta sexta-feira, antes do comício, o presidenciável visitou a fábrica da Moto Honda da Amazônia vestindo uma camisa amarela com a frase “100% Zona Franca de Manaus”.

A visita provocou reação do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), que havia criticado a agenda do candidato na empresa e resgatado seus posicionamentos anteriores sobre o modelo.

Promete asfalto, mas não cita BR-319

Flávio também prometeu investir na pavimentação de estradas caso chegue à Presidência.

“Onde tem estrada, vamos colocar asfalto. Não é isso? Vamos trabalhar. Estão felizes?”, perguntou aos apoiadores.

Apesar da promessa feita em Manaus, o candidato não mencionou nominalmente a BR-319, rodovia que liga a capital amazonense a Porto Velho (RO) e é uma das principais reivindicações de infraestrutura do Amazonas.

A recuperação e pavimentação completa da BR-319 atravessam sucessivos governos federais e também foram defendidas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas a rodovia continua sem recuperação integral.

Bolsa Família será mantido, promete Flávio

Na área social, o candidato garantiu que manterá o Bolsa Família caso seja eleito presidente.

“Você que recebe Bolsa Família, está garantido o seu Bolsa Família. Ninguém vai tocar no seu Bolsa Família”, afirmou.

Segundo Flávio, a manutenção do benefício deverá ser acompanhada de ações de educação e qualificação profissional para preparar beneficiários para o mercado de trabalho ou para o empreendedorismo.

O presidenciável também defendeu um mecanismo que permita o retorno imediato ao programa caso o beneficiário consiga emprego e posteriormente perca sua fonte de renda.

Ao abordar o valor do benefício, atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro a elevação para R$ 600 e criticou a perda do poder de compra.

“Esses R$ 600, lá atrás, enchiam o carrinho de compra. E agora, estão enchendo?”, questionou.

Flávio ataca Alexandre de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também foi alvo do discurso de Flávio Bolsonaro. O candidato afirmou que pretende “proteger” a Corte e recuperar a credibilidade do Poder Judiciário.

“Eu vou proteger o STF de pessoas como o Alexandre de Moraes. A laranja podre não pode contaminar toda aquela Corte. Vamos resgatar a credibilidade do Poder Judiciário, porque o STF não é Alexandre de Moraes. O Judiciário não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes”, declarou.

Flávio também destacou que o próximo presidente poderá fazer várias indicações ao Supremo, colocando a futura composição da Corte entre os temas políticos de sua campanha.

Durante os ataques a Moraes, o presidenciável não mencionou as apurações envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, citadas nas informações que vieram a público.

Agenda em Manaus reúne chapa do PL

O comício encerrou uma agenda política de Flávio Bolsonaro em Manaus marcada principalmente pelos discursos sobre segurança pública e Zona Franca.

Ao lado de Maria do Carmo Seffair e Alberto Neto, o candidato buscou associar sua campanha a uma política de enfrentamento mais duro ao crime organizado e, ao mesmo tempo, reposicionar sua relação com a Zona Franca.

Se na segurança o recado mais forte foi direcionado às facções — “ou serão presos, ou neutralizados” —, na economia o movimento foi de aproximação com um modelo que Flávio criticou no passado e que agora, em plena campanha presidencial, classifica como “100% orgulho nacional”.

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