Na imagem, a prefeita de Eirunepé, Professora Áurea, o deputado federal Silas Câmara e o prefeito de Itamarati, João Campelo. Os dois municípios administrados pelo casal estão entre os citados em reportagem do Metrópoles sobre contratos de locação firmados com empresa administrada por familiares do parlamentar (Foto: Reprodução das Redes Sociais)

Uma reportagem publicada pelo portal Metrópoles, assinada pelo jornalista Mateus Salomão, colocou sob os holofotes contratos firmados entre prefeituras do interior do Amazonas e uma empresa administrada por familiares do deputado federal licenciado Silas Câmara. Segundo a publicação, municípios que receberam recursos oriundos de emendas parlamentares indicadas pelo congressista também contrataram, sem processo licitatório, uma empresa ligada à sua família para locação de salas comerciais em Manaus.

Entre os municípios citados na reportagem está Eirunepé, administrado pela prefeita Professora Áurea, que firmou contrato com a empresa Milenium Sociedade de Participação e Administração Ltda., administrada por Milena Ramos Câmara, filha do deputado federal Silas Câmara. A prefeita é casada com João Campelo, prefeito de Itamarati, outro município mencionado na reportagem e que também contratou a empresa ligada à família do parlamentar.

A reportagem destaca que a empresa também tem entre seus sócios a deputada federal Antônia Lúcia, ex-esposa do parlamentar. Embora o nome de Silas Câmara ainda apareça em registros da Receita Federal, sua defesa sustenta que ele já não integra o quadro societário da empresa.

De acordo com a apuração do Metrópoles, as prefeituras de Itamarati, Eirunepé e Fonte Boa contrataram a empresa para disponibilizar espaços destinados à representação institucional dos municípios na capital amazonense. As contratações ocorreram por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade prevista em lei para situações em que não há possibilidade de concorrência.

Prefeituras pagam por sala situada em endereço na Rua Ernesto Pinto Filho, bairro Parque 10 de Novembro, Manaus (AM)

O contrato de maior valor foi firmado pela Prefeitura de Eirunepé. Assinado em maio de 2025, o acordo prevê o pagamento de R$ 96 mil pelo aluguel de uma sala comercial em Manaus, com parcelas mensais de R$ 8 mil. Já a Prefeitura de Fonte Boa contratou outro espaço no mesmo endereço por R$ 72 mil anuais, enquanto Itamarati firmou inicialmente um contrato de R$ 46,2 mil, posteriormente renovado por meio de aditivo que estendeu sua vigência até dezembro de 2026.

Emendas para municípios aliados

Outro aspecto destacado pela reportagem é que os municípios contratantes também receberam recursos federais por meio de emendas parlamentares destinadas por Silas Câmara.

Dados do sistema Siga Brasil apontam que Fonte Boa recebeu R$ 1,5 milhão em emendas em 2025 e possui mais R$ 800 mil empenhados para 2026. Eirunepé foi contemplada com R$ 500 mil em cada um dos dois anos. Já Itamarati recebeu R$ 388 mil em 2025 e outros R$ 900 mil para 2026.

A coincidência entre os repasses federais e os contratos firmados com a empresa da família do parlamentar motivou questionamentos apresentados pela reportagem do Metrópoles. No entanto, até o momento, não há informação sobre investigação oficial ou acusação formal envolvendo as contratações.

Defesa rejeita irregularidades

Em nota encaminhada ao Metrópoles, a defesa de Silas Câmara afirmou que a empresa é administrada exclusivamente por sua filha, pessoa jurídica e empresarialmente independente.

Os advogados argumentam que não existe qualquer prova de participação do deputado nos contratos celebrados pelas prefeituras nem benefício financeiro direto decorrente dos acordos. Segundo a defesa, estabelecer uma relação entre a destinação de emendas parlamentares e a contratação da empresa exige elementos concretos e não apenas coincidências temporais ou alinhamentos políticos.

A nota ressalta ainda que o parlamentar, ao longo de sua trajetória política, destinou recursos para diversos municípios amazonenses com o objetivo de atender demandas da população.

Fonte Boa diz que contrato não está mais em vigor

A Prefeitura de Fonte Boa informou ao Metrópoles que o contrato citado na reportagem não está mais vigente e que atualmente não existe vínculo contratual entre o município e a empresa mencionada.

A administração municipal também afirmou manter compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.

As prefeituras de Eirunepé e Itamarati foram procuradas pela reportagem, mas não haviam se manifestado até a publicação do conteúdo.

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