
Os Emirados Árabes Unidos estão ampliando investimentos em rotas alternativas para o transporte de energia e mercadorias como forma de reduzir os impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã e evitar que suas atividades econômicas fiquem dependentes do Estreito de Ormuz.
A estratégia foi revelada nesta segunda-feira (7) por Anwar Gargash, conselheiro presidencial dos Emirados, durante o Fórum Hili, realizado em Abu Dhabi. Segundo ele, o país trabalha para garantir que suas exportações de energia, o comércio e a economia não sejam afetados diretamente pelo conflito.
“Nossas exportações de energia não ficarão reféns, assim como nosso comércio e nossa atividade econômica”, afirmou Gargash.
Entre as medidas adotadas estão a ampliação da capacidade portuária na costa leste dos Emirados e o desenvolvimento de oleodutos, ferrovias e corredores comerciais alternativos. As iniciativas buscam diminuir a dependência da principal rota marítima utilizada para o escoamento de petróleo e outros produtos da região.
Relação com o Irã pode levar décadas para ser reconstruída
Gargash afirmou que os Emirados não descartam uma futura retomada das relações com o Irã, mas avaliou que a reconstrução da confiança poderá levar décadas após os ataques registrados durante o conflito.
O conselheiro também criticou a falta de uma resposta conjunta entre os países árabes do Golfo. Segundo ele, as nações compartilham preocupações semelhantes, mas não conseguiram transformá-las em uma estratégia coordenada diante das ações iranianas.
A preocupação também foi manifestada pelo Catar. Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, afirmou que os Estados do Golfo não podem depender exclusivamente da parceria militar e estratégica com os Estados Unidos.
Para ele, a região precisa desenvolver maior autossuficiência na área de segurança, embora mantenha seus aliados internacionais.
Gargash reconheceu a importância da parceria com Washington, mas afirmou que o conflito mostrou a necessidade de os países ampliarem suas próprias capacidades de defesa.
Estreito de Ormuz permanece no centro da crise
O Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de tensão do conflito. A passagem marítima é estratégica para o mercado global de energia e sua interrupção provocou forte impacto sobre os preços internacionais.
O Irã sustenta que possui direitos sobre a área, posição rejeitada pelos países árabes do Golfo. Para os Emirados, a liberdade de navegação não pode ser utilizada como moeda de negociação.
Gargash defendeu que qualquer acordo de longo prazo entre Washington e Teerã inclua garantias consideradas confiáveis contra novos ataques a países árabes da região.
O conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Um cessar-fogo preliminar firmado em junho acabou fracassando, e as negociações para uma solução definitiva permanecem sem avanços significativos.







