
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (30) a retirada das últimas tropas americanas do Iraque, marcando o encerramento da missão militar liderada pelos EUA no país.
O Pentágono confirmou que a saída das forças e dos equipamentos da Base Aérea de Erbil, no norte do Iraque, foi concluída de forma ordenada. A retirada encerra a Operação Inherent Resolve, iniciada em 2014 para combater o Estado Islâmico.
Em publicação na Truth Social, Trump classificou o momento como “um grande dia para a América” e afirmou que a retirada representa o encerramento de um capítulo que considerou custoso para os Estados Unidos.
Trump elogia novo primeiro-ministro do Iraque
Ao anunciar a retirada, Trump também elogiou o primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi, recém-eleito para o cargo.
O presidente americano afirmou que apoiava al-Zaidi desde o início e destacou a vitória eleitoral do político. Trump também comparou a saída do Iraque com a retirada das forças americanas do Afeganistão, em 2021.
Segundo o Pentágono, a retirada do Iraque faz parte de um acordo firmado anteriormente entre Washington e Bagdá para encerrar a missão militar da coalizão e transferir a responsabilidade pela segurança para as forças iraquianas.
Iraque assume combate ao Estado Islâmico
Com a saída das tropas americanas, as Forças de Segurança do Iraque, incluindo os peshmergas da região do Curdistão, passam a liderar os esforços para combater remanescentes do Estado Islâmico e garantir a segurança do território.
Os Estados Unidos, porém, não encerram toda a cooperação com o Iraque. Washington informou que continuará oferecendo treinamento específico e apoio de inteligência aos parceiros iraquianos.
A Operação Inherent Resolve foi criada em 2014, depois que o Estado Islâmico conquistou grandes áreas do Iraque e da Síria. Segundo o Departamento de Defesa americano, a campanha reduziu o grupo a uma ameaça sem controle territorial significativo no Iraque, embora remanescentes ainda permaneçam ativos.
Milícias apoiadas pelo Irã são outro desafio
Além do Estado Islâmico, o governo iraquiano terá de lidar com milícias alinhadas ao Irã, que mantêm influência e capacidade militar no país.
O Pentágono afirmou que a responsabilidade pelos desafios de segurança restantes, incluindo a atuação dessas milícias, passa a ser do governo iraquiano. O primeiro-ministro Ali al-Zaidi havia estabelecido um processo para o desarmamento desses grupos, mas o prazo foi posteriormente estendido para 2027.
A retirada também provoca preocupações entre setores da população e autoridades curdas sobre a capacidade das forças iraquianas de manter a segurança sem a presença militar americana. Analistas ouvidos pela imprensa apontaram riscos relacionados à atuação de milícias e a uma possível reorganização do Estado Islâmico.
Mais de duas décadas após a invasão
A retirada ocorre 23 anos após a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos, em 2003, que derrubou o regime de Saddam Hussein.
As tropas americanas deixaram o país inicialmente em 2011, mas retornaram três anos depois para liderar uma coalizão internacional contra o Estado Islâmico. A missão militar contra o grupo durou 12 anos e chegou ao fim oficialmente nesta quarta-feira.







