
A estiagem de 2026 já atingiu 146.425 famílias no Amazonas, enquanto 47 dos 62 municípios do estado estão em situação de emergência e outros 15 permanecem em alerta. Os números constam do boletim divulgado nesta segunda-feira (2) pelo Governo do Amazonas, por meio do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais.
O levantamento da Defesa Civil revela a dimensão da crise ambiental que afeta o estado. Com todos os municípios amazonenses classificados em emergência ou alerta, a estiagem continua exigindo ações de assistência humanitária, monitoramento dos rios e combate aos incêndios florestais.
Além dos impactos provocados pela seca, o boletim apresenta números preocupantes relacionados às queimadas. Entre 1º de junho e 1º de novembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou 3.957 ocorrências de incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 24.505 focos de incêndio em todo o estado.
Desse total, 19.746 focos foram registrados no interior, o equivalente a aproximadamente 80,6% das ocorrências contabilizadas, enquanto Manaus concentrou 4.759 registros, correspondentes a 19,4%.
Parintins registra pior qualidade do ar
Outro dado preocupante apresentado pelo boletim é a qualidade do ar em municípios amazonenses.
Na manhã desta segunda-feira (2), Parintins apresentou a pior classificação entre as localidades monitoradas, com qualidade do ar considerada péssima.
Outros dez municípios registraram condições classificadas entre ruim e muito ruim: Autazes, Barreirinha, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Maués, Nova Olinda do Norte, São Sebastião do Uatumã, Silves e Urucurituba.
Em Manaus, a qualidade do ar foi classificada como moderada, assim como em outros 24 municípios, entre eles Manacapuru não consta da relação divulgada para essa classificação.
A deterioração da qualidade do ar representa uma preocupação adicional para a população, principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, que são mais vulneráveis à exposição à fumaça e aos poluentes atmosféricos.
Quase 76% dos municípios estão em emergência
Dos 62 municípios amazonenses, 47 estão em situação de emergência, o equivalente a aproximadamente 75,8% do total.
Entre as cidades nessa condição estão Parintins, Maués, Manacapuru, Coari, Tefé, Humaitá, Lábrea, Boca do Acre, Autazes, Careiro, Careiro da Várzea, Carauari, Eirunepé, Benjamin Constant e São Paulo de Olivença.
Também integram a lista Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Borba, Caapiranga, Envira, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, Silves, Tapauá, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
Outros 15 municípios estão em situação de alerta, incluindo Manaus, Itacoatiara, Iranduba, Tabatinga, Barcelos, Beruri, Canutama, Codajás, Fonte Boa, Guajará, Itapiranga, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã e Urucará.
A classificação permite orientar as medidas de prevenção, assistência e resposta aos efeitos da estiagem.
Governo distribuiu 96 toneladas de alimentos
Para atender as famílias afetadas, o Governo do Amazonas informou que a primeira fase da Operação Estiagem 2026 já alcançou 15 municípios.
Até o momento, foram destinadas 4.800 cestas básicas, equivalentes a aproximadamente 96 toneladas de alimentos, além de 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas d’água com capacidade de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.
Na última terça-feira (27), o governo enviou mais de 13 toneladas de alimentos para os municípios de Anamã e Rio Preto da Eva.
As duas cidades receberão, juntas, 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas d’água de 500 litros.
Apesar das entregas, o número de municípios contemplados nesta primeira etapa ainda é inferior ao total de localidades em situação de emergência.
Segundo o governo, a assistência humanitária terá continuidade conforme o monitoramento das condições dos rios e as demandas apresentadas pelas administrações municipais.
Combate às queimadas mobiliza 1.500 profissionais e 18 aeronaves
Paralelamente às ações de assistência às famílias atingidas pela estiagem, o Amazonas mantém uma operação de combate aos incêndios florestais.
De acordo com o boletim, aproximadamente 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das ações.
A estrutura aérea conta com 18 aeronaves, sendo 16 disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo Governo do Amazonas.
A frota é composta por oito aeronaves Air Tractor, dois aviões KC-390 e oito helicópteros, utilizados no apoio às operações de combate aos incêndios.
O governo também anunciou a contratação de mais 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé, além da entrega de viaturas e equipamentos para reforçar o trabalho das equipes.
Fiscalização ambiental e restrição ao uso do fogo
Na área ambiental, as operações de fiscalização e combate aos incêndios continuam em diferentes regiões do estado.
A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde desenvolve ações de combate aos incêndios em 33 cidades.
Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso irregular do fogo, com apoio de drones e viaturas equipadas com internet via satélite. As equipes podem aplicar multas e determinar embargos quando identificadas infrações ambientais.
O Governo do Amazonas também estabeleceu medidas restritivas para o uso do fogo durante 120 dias, respeitadas as exceções previstas na legislação.
Além disso, decretos estaduais reconheceram situações de emergência por 180 dias em áreas atingidas por incêndios florestais e em todo o Amazonas devido à estiagem.
As medidas permitem ampliar a mobilização de recursos e as ações de resposta aos desastres ambientais.
Entre junho e agosto deste ano, mais de 43 mil pessoas foram alcançadas por atividades de educação ambiental, segundo o governo.
O monitoramento dos focos de calor continua sendo realizado por imagens de satélite, com participação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
Com mais de 146 mil famílias afetadas e todos os 62 municípios em situação de emergência ou alerta, o Amazonas permanece sob os efeitos da estiagem, enquanto as autoridades estaduais mantêm as operações de assistência humanitária, fiscalização ambiental e combate às queimadas.
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