Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf • Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

Autoridades dos Estados Unidos alertaram o Irã sobre o risco de que Israel pudesse tentar assassinar integrantes da equipe iraniana responsável pelas negociações entre os dois países. A informação foi divulgada por autoridades americanas e publicada inicialmente pelo jornal The New York Times.

Segundo os relatos, os avisos foram enviados por meio de intermediários e tinham como objetivo alertar sobre possíveis ameaças contra o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, ambos considerados figuras centrais nas negociações com Washington.

As autoridades afirmaram que, até a última sexta-feira (26), não havia indícios de que a inteligência americana tivesse identificado um plano específico para executar os ataques, mas a preocupação levou ao envio das mensagens.

Israel nega informações

Após a publicação da reportagem, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, negou o conteúdo divulgado.

Em publicação na rede social X, o governo de Israel classificou a notícia como “fake news” e afirmou que a reportagem representava uma “completa fabricação da realidade”.

Já a embaixada israelense em Washington não comentou o caso. A CNN informou que também procurou a Casa Branca, que não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Divergências entre Trump e Netanyahu

O episódio ocorre em meio a divergências entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a condução do conflito envolvendo o Irã.

De acordo com autoridades americanas, Trump avaliava que operações militares israelenses contra autoridades iranianas poderiam comprometer as negociações diplomáticas em andamento.

Em março, ao ser questionado sobre os representantes iranianos envolvidos nas conversas, Trump evitou citar nomes.

“Não quero que eles sejam mortos”, afirmou na ocasião.

Espionagem e tensão regional

Segundo um funcionário americano ouvido pela reportagem, o governo dos Estados Unidos também passou a monitorar de perto as atividades de inteligência israelenses, que teriam ampliado ações de vigilância sobre autoridades iranianas e até mesmo sobre representantes americanos nos últimos meses.

Durante os primeiros dias da guerra, Israel realizou ataques que resultaram na morte de diversas autoridades iranianas, incluindo o líder supremo do país e o então principal responsável pela segurança nacional, Ali Larijani, conforme informado pela reportagem.

Com o passar do conflito, porém, a estratégia americana teria mudado, priorizando novas negociações diplomáticas em vez de uma escalada militar.

Negociações seguem indefinidas

Apesar de Estados Unidos e Irã terem firmado um memorando de entendimento prevendo um cessar-fogo de 60 dias, pontos considerados mais sensíveis permanecem sem solução.

Entre eles estão o futuro do programa nuclear iraniano e as garantias de segurança na região.

Mesmo após o acordo provisório, episódios de tensão continuaram sendo registrados, incluindo disparos iranianos contra embarcações no Estreito de Ormuz e ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos iranianos.

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