
Os Estados Unidos voltaram a bombardear alvos no Irã na noite de domingo (19), ampliando para nove dias consecutivos a ofensiva militar entre os dois países. De acordo com o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas, os ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea, estruturas de vigilância, capacidades marítimas e redes de comunicação utilizadas por Teerã.
Em comunicado, o comando militar informou que as operações continuarão com o objetivo de enfraquecer a capacidade iraniana de realizar ataques contra embarcações comerciais e civis que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
O Irã respondeu à ofensiva lançando uma nova série de mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos instaladas no Golfo Pérsico. No Bahrein, as autoridades acionaram sirenes de alerta aéreo para avisar a população sobre o risco de ataques, enquanto no Kuwait sistemas de defesa foram mobilizados para interceptar drones iranianos.
A Guarda Revolucionária do Irã também afirmou ter realizado um ataque surpresa contra um centro de comando considerado inimigo na região de Al-Tanf, na Síria, conforme divulgado pela agência estatal Irna.
Além da resposta militar, Teerã voltou a ameaçar bloquear o Estreito de Ormuz. Em novo comunicado, a Guarda Revolucionária declarou que, caso as ofensivas dos Estados Unidos prossigam, a passagem deixará de ser segura para o transporte de petróleo, gás e outros produtos petroquímicos.
A escalada do conflito ocorre poucos dias após a morte de militares norte-americanos em ataques atribuídos ao Irã. Dois soldados morreram na sexta-feira (17), durante um ataque contra uma base dos Estados Unidos na Jordânia. No sábado (18), um terceiro militar morreu no Iraque durante a detonação controlada de um explosivo transportado por um drone iraniano.
Ao comentar os bombardeios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ofensiva foi uma resposta em homenagem aos militares mortos. Segundo ele, os ataques foram conduzidos de forma intensa como forma de reconhecer o sacrifício dos soldados.
Apesar da continuidade das operações militares, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que Washington permanece disposto a buscar uma solução diplomática para a crise. Segundo ele, a retomada das negociações depende de uma mudança de postura do governo iraniano, especialmente em relação aos ataques contra embarcações e instalações militares dos Estados Unidos.
A atual escalada começou no início de julho, em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. A região concentra aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo e tem importância estratégica para o abastecimento global de energia. O primeiro ataque foi realizado pelos Estados Unidos, que alegaram responder a uma ofensiva iraniana contra petroleiros que navegavam pela rota marítima. Desde então, sucessivas ações militares de ambos os lados elevaram a tensão na região.
Os confrontos também colocam em risco o memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho, que previa medidas para ampliar o cessar-fogo e restabelecer a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, além de abrir caminho para negociações de um acordo mais amplo.
A intensificação do conflito já produz reflexos no mercado internacional de energia. Nas primeiras negociações desta segunda-feira (20), o barril do petróleo Brent alcançou US$ 90,75 no mercado asiático, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 2,39%, chegando a US$ 84,46. Em condições de maior estabilidade, os preços do petróleo costumam oscilar entre US$ 50 e US$ 75 por barril.







