
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, nesta terça-feira (11), um vídeo que afirma que o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”. A publicação nas redes sociais retoma a história da Doutrina Monroe, formulada em 1823 e que se tornou uma das principais referências da política externa dos EUA.
A doutrina foi apresentada pelo então presidente James Monroe em um contexto marcado pela independência de diversos países latino-americanos e pela preocupação de Washington com novas tentativas de colonização ou intervenção de potências europeias no continente.
Origem da Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe ficou associada à expressão “América para os americanos” e estabelecia que os continentes americanos não deveriam ser considerados áreas disponíveis para novas colonizações europeias.
Na época, os Estados Unidos ainda não tinham a força militar e econômica que alcançariam posteriormente. A doutrina funcionava principalmente como uma advertência às potências europeias contra novas intervenções nas Américas.
Com o crescimento da influência americana, porém, o princípio passou a ser interpretado também como uma reivindicação de primazia dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
No início do século 20, o presidente Theodore Roosevelt ampliou essa interpretação por meio do chamado Corolário Roosevelt, que defendia a possibilidade de intervenções americanas em países latino-americanos em determinadas circunstâncias.
Doutrina voltou a ganhar força durante a Guerra Fria
Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos voltaram a utilizar a Doutrina Monroe como referência diante da expansão da influência soviética e do comunismo na América Latina.
Um dos principais exemplos ocorreu durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962. Na ocasião, o governo de John F. Kennedy considerou a instalação de mísseis nucleares soviéticos em território cubano uma ameaça direta à segurança americana.
O que é a chamada “Doutrina Donroe”?
A Doutrina Monroe voltou ao centro da política externa dos Estados Unidos durante o segundo governo de Donald Trump.
Em dezembro de 2025, a Casa Branca apresentou um chamado “Corolário Trump”, defendendo o fortalecimento da liderança americana no Hemisfério Ocidental e a contenção da influência de potências estrangeiras na região.
Em janeiro de 2026, Trump passou a chamar a nova abordagem de “Doutrina Donroe”, uma adaptação de seu próprio nome ao termo histórico.
A estratégia envolve temas como o combate ao tráfico de drogas, controle de rotas estratégicas, pressão sobre governos latino-americanos e contenção da influência de outras potências, especialmente da China.
Essa política também aparece nas ações do governo americano envolvendo Venezuela, Cuba e o Canal do Panamá, além da preocupação com a presença chinesa na infraestrutura estratégica da região.







