
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nesta quarta-feira (9) que o governo americano pretende solicitar ao Congresso US$ 45 milhões em financiamento adicional para a segurança do Equador, além do envio de equipamentos para ajudar o país no combate ao tráfico internacional de drogas.
O anúncio ocorreu durante a visita de Rubio a Quito, onde o secretário se reuniu com o presidente equatoriano Daniel Noboa. A agenda faz parte de uma viagem pela América Latina voltada ao fortalecimento das relações de segurança com governos alinhados à administração do presidente americano Donald Trump.
Após o encontro, Rubio afirmou que Washington tem ampliado a cooperação com o governo equatoriano para combater organizações criminosas, inclusive por meio de operações conjuntas contra embarcações suspeitas de transportar drogas.
“Não são grupos comuns. Claramente, eles se envolvem em crimes convencionais, mas possuem capacidades terroristas em toda a região, e isso precisa ser enfrentado. Eles devem ser desmantelados, devem ser derrotados, e estamos comprometidos em fazer isso”, declarou Rubio.
EUA classificam Los Tiguerones como organização terrorista
Durante a visita, Rubio anunciou ainda a classificação da organização criminosa equatoriana Los Tiguerones como uma organização terrorista estrangeira.
Segundo o Departamento de Estado americano, o grupo possui ligação com o narcotráfico e outras atividades criminosas. Entre os episódios atribuídos à organização está a invasão de uma emissora de televisão do Equador durante uma transmissão ao vivo, em 2024.
A designação segue medidas semelhantes adotadas anteriormente contra outras organizações criminosas que atuam no Equador.
Rubio também informou que os Estados Unidos pretendem impor sanções a sete ex-autoridades equatorianas acusadas de envolvimento em corrupção e recebimento de subornos.
Equipamentos serão enviados à Marinha equatoriana
Além dos recursos financeiros, o governo americano anunciou o envio de equipamentos para reforçar a capacidade de combate ao tráfico marítimo.
Entre os equipamentos estão um navio de patrulha da Guarda Costeira de aproximadamente 33 metros e cinco embarcações interceptadoras para a Marinha do Equador.
Os novos equipamentos se somarão a sete embarcações que já foram entregues ao país neste ano para operações contra o tráfico de drogas por via marítima.
O governo Trump também pretende destinar US$ 10 milhões para iniciativas voltadas ao combate à mineração ilegal de ouro, ao recrutamento de pessoas por organizações criminosas e aos fluxos financeiros ilícitos.
Cooperação envolve operações contra embarcações
Em Quito, Rubio confirmou que a atuação americana contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico passou a contar com cooperação direta do Equador.
Segundo o secretário, as decisões sobre os alvos são analisadas individualmente e contam com participação das autoridades equatorianas.
“Nosso objetivo não é perseguir pescadores. Nosso objetivo é perseguir traficantes de drogas”, afirmou Rubio ao responder sobre as críticas às operações.
Na semana passada, o ministro da Defesa do Equador também defendeu operações nas quais embarcações equatorianas foram interceptadas e afundadas, afirmando que as ações resultaram de investigações conjuntas destinadas a combater o tráfico de drogas.
Operação americana gera críticas
As ações fazem parte da Operação Southern Spear (Lança do Sul), campanha militar americana que, segundo os dados apresentados no texto, destruiu cerca de 70 embarcações e matou mais de 220 pessoas no último ano.
A operação tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos e de alguns líderes latino-americanos, que classificam determinados ataques como possíveis execuções extrajudiciais.
Embora Washington tenha assumido a responsabilidade por dezenas de ataques realizados durante a Southern Spear, os Estados Unidos não reivindicaram a autoria de outros três incidentes registrados neste ano e que envolveram características semelhantes às de operações americanas.
Os episódios envolveram embarcações de pesca da província equatoriana de Manabí. Tripulantes ouvidos pela Reuters relataram que os barcos foram atingidos durante ataques. Uma das embarcações desapareceu, enquanto as tripulações das outras duas foram posteriormente repatriadas por meio de El Salvador.
Aproximação com governos aliados de Trump
A aproximação entre Washington e Quito ocorre em meio a uma ampliação da atuação dos Estados Unidos na América Latina.
Trump já elogiou Noboa anteriormente. O presidente equatoriano assumiu o cargo em 2023 prometendo intensificar o combate à violência relacionada ao crescimento do Equador como rota de trânsito do tráfico internacional de drogas.
Organizações de direitos humanos, porém, questionam os resultados da política de segurança adotada pelo governo equatoriano e afirmam que a abordagem mais rigorosa pode ter contribuído para o agravamento da instabilidade no país.
A viagem de Rubio pela região também inclui outros governos considerados próximos da administração Trump. Na terça-feira (8), o secretário anunciou uma ampliação da cooperação em segurança com a Colômbia.
A ofensiva diplomática ocorre enquanto o governo americano busca reforçar sua influência na América Latina, em uma política que a administração Trump apresenta como uma reformulação da Doutrina Monroe, conceito histórico associado à defesa da influência dos Estados Unidos no continente.







