Foto: Carlo Allegri/Reuters - 15.08.2014

O governo dos Estados Unidos decidiu permitir a entrada de integrantes de alto escalão do governo iraniano em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas na próxima semana. A decisão foi confirmada pelo Departamento de Estado nesta quinta-feira (17), mesmo com Washington e Teerã permanecendo em conflito e mantendo negociações intermitentes em busca de um acordo para encerrar a guerra.

Segundo um porta-voz do Departamento de Estado, uma “delegação principal do regime iraniano” poderá participar da reunião anual da ONU. A autorização está relacionada às obrigações assumidas pelos Estados Unidos como país anfitrião da organização internacional.

Uma fonte familiarizada com a decisão afirmou que entre as autoridades autorizadas a viajar estão o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. A presença da delegação ocorre em um momento de negociações entre os dois países, apesar da continuidade das hostilidades.

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã. Em resposta, Teerã lançou ataques contra Israel e também contra países do Golfo que mantêm bases militares norte-americanas em seus territórios.

Apesar da autorização para a participação na Assembleia Geral, a delegação iraniana estará sujeita a restrições durante a permanência nos Estados Unidos. O Departamento de Estado informou que os integrantes terão limitações de deslocamento e estarão proibidos de comprar artigos de luxo e determinados outros bens, conforme as regras adotadas pelo governo americano.

O porta-voz também afirmou que a delegação iraniana deste ano será menor do que a enviada à Assembleia Geral em 2025.

Em ocasiões anteriores, autoridades iranianas que participaram de reuniões da ONU enfrentaram restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos. As medidas incluíram limitações para circulação em Nova York e impedimentos de acesso a estabelecimentos comerciais. Os deslocamentos eram restritos, principalmente, aos trajetos entre a sede das Nações Unidas, a missão iraniana junto à organização, a residência do embaixador iraniano na ONU e o Aeroporto Internacional John F. Kennedy.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã não havia se manifestado sobre a decisão até a última atualização.

A autorização para a entrada da delegação iraniana está relacionada ao acordo de sede firmado entre os Estados Unidos e as Nações Unidas em 1947. Pelas regras do acordo, o país anfitrião geralmente deve permitir o acesso de diplomatas estrangeiros à sede da organização.

Washington, no entanto, sustenta que existem situações em que pode negar vistos, especialmente por razões relacionadas à segurança, terrorismo e política externa.

A decisão sobre os representantes iranianos ocorre um dia depois de o governo Trump anunciar que impediria a entrada de autoridades palestinas que pretendiam participar da Assembleia Geral da ONU. A medida mantém uma restrição que já estava em vigor desde o ano passado.

Segundo o governo americano, a decisão contra integrantes da Autoridade Palestina está relacionada a ações que, na avaliação de Washington, buscam “internacionalizar o conflito israelo-palestino”, incluindo iniciativas judiciais contra Israel em tribunais internacionais.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, também teve o visto de entrada nos Estados Unidos negado como parte da medida, segundo uma autoridade palestina.

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