
Uma mulher identificada como Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi presa nesta sexta-feira (20), em Teresina, suspeita de se passar por advogada para acessar dados judiciais sigilosos e repassá-los ao Comando Vermelho. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas para desmontar um esquema interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações, Lucila atuava como elo entre integrantes da facção e servidores públicos, tentando obter informações reservadas de processos judiciais. A polícia apura ainda a participação dela em um grupo classificado como “núcleo político” da organização, formado por pessoas com acesso a estruturas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A suspeita já exerceu funções como assessora em gabinetes políticos e, segundo a apuração, utilizava essa experiência para circular em ambientes institucionais. Entre os nomes citados está o vereador Rodrigo Guedes, além de ex-parlamentares como Isaac Tayah e Arthur Bisneto.
A operação revelou que o grupo criminoso utilizava empresas de fachada para adquirir drogas na Colômbia e transportá-las até Manaus, de onde os entorpecentes eram redistribuídos para outros estados. As movimentações financeiras associadas ao esquema chegam a cerca de R$ 70 milhões desde 2018.
Além do Amazonas, a ofensiva policial cumpriu mandados em Belém, Ananindeua, Belo Horizonte, Fortaleza, Teresina e Estreito. Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão.
Conforme a Polícia Civil do Piauí, Lucila é suspeita de corromper servidores do Judiciário amazonense para obter acesso a processos sigilosos. Durante a prisão, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, anotações e um token pertencente a uma advogada inscrita na OAB-AM, que estaria sendo usado de forma irregular.
Após ser interrogada, a investigada foi encaminhada ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça do Amazonas.
Em nota, o vereador Rodrigo Guedes confirmou que Lucila atuou em seu gabinete entre 2022 e maio de 2024, na elaboração de documentos legislativos, e que foi desligada por não atender às exigências técnicas da função. O parlamentar afirmou ainda que, à época da contratação, ela apresentou certidões negativas e se identificou como bacharel em Direito, não havendo qualquer indício prévio de envolvimento com atividades criminosas.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos, rastrear ativos ilícitos e aprofundar a apuração sobre a infiltração do crime organizado em estruturas públicas.







