O ex-presidente do Equador, Lenín Moreno • Foto: César Muñoz/Andes

O ex-presidente do Equador, Lenín Moreno, foi condenado nesta sexta-feira (28) por um tribunal do país em um processo que investiga um esquema de suborno relacionado à construção da hidrelétrica Coca Codo Sinclair, maior usina hidrelétrica equatoriana. A esposa e a filha do ex-presidente também foram condenadas no caso.

Segundo a Procuradoria-Geral do Equador, a investigação apontou que a empresa chinesa Sinohydro teria pago cerca de US$ 76,1 milhões em propinas, entre 2009 e 2018, por meio de contratos de consultoria considerados fraudulentos.

Os investigadores afirmam que o dinheiro teria sido transferido por contas bancárias no exterior e empresas de fachada localizadas em paraísos fiscais. A acusação sustenta que Moreno e familiares receberam mais de US$ 1 milhão enquanto ele ocupava o cargo de vice-presidente, entre 2007 e 2013.

Durante a audiência, o juiz Manuel Cabrera afirmou que a conduta de Moreno era compatível com a acusação apresentada pela promotoria, relacionada ao crime de suborno de funcionário público.

Os promotores haviam solicitado penas superiores a seis anos para Moreno e outros 19 réus envolvidos no processo.

Ex-presidente nega acusações

Lenín Moreno, de 73 anos, nega as acusações e afirma que não participou da assinatura ou da fiscalização dos contratos relacionados à construção da usina.

Durante a audiência, o ex-presidente também questionou a atuação da promotoria e afirmou que os investigadores deveriam procurar os responsáveis pela assinatura dos contratos.

Moreno governou o Equador entre 2017 e 2021. Para acompanhar o julgamento, ele retornou ao país após estar no Paraguai.

Caso Coca Codo Sinclair

A hidrelétrica Coca Codo Sinclair entrou em operação em 2016 e é considerada a maior usina hidrelétrica do Equador. O empreendimento, construído com participação da empresa chinesa Sinohydro, passou a enfrentar problemas técnicos após o início das operações.

A investigação sobre o suposto esquema de corrupção foi aberta em março de 2023 e passou a envolver Moreno, familiares, empresários equatorianos e chineses e outras pessoas ligadas ao projeto.

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