
A incerteza sobre os resultados eleitorais pode provocar preocupação constante e levar algumas pessoas a consultar repetidamente pesquisas, notícias e discussões nas redes sociais.
De acordo com Handreza, o comportamento merece atenção quando começa a interferir nas atividades cotidianas, prejudicando o descanso, as responsabilidades profissionais e as relações pessoais.
A psicóloga explica que a repetição de pensamentos sobre possíveis acontecimentos políticos pode estar associada à ruminação, caracterizada pela retomada frequente das mesmas preocupações, mesmo quando não surgem novas informações.
A neuropsicóloga Priscila Patrícia acrescenta que as divergências políticas podem ser interpretadas como ataques pessoais, uma vez que as preferências eleitorais frequentemente estão relacionadas aos valores e à identidade dos indivíduos.
Esse comportamento pode favorecer a chamada polarização afetiva, situação em que as diferenças políticas passam a provocar sentimentos de rejeição, hostilidade e desconfiança em relação a pessoas com opiniões contrárias.
Segundo as especialistas, acompanhar discussões agressivas nas redes sociais, mesmo sem participar diretamente, também pode aumentar os níveis de ansiedade e irritabilidade.
Entre os sinais de desgaste estão conflitos frequentes, afastamento de familiares e amigos, dificuldade de ouvir opiniões divergentes e comprometimento da convivência social.
Especialistas recomendam limites e atenção aos sinais de sofrimento
Para reduzir os impactos emocionais do período eleitoral, as profissionais recomendam estabelecer horários específicos para acompanhar o noticiário, priorizar fontes confiáveis e evitar consultas repetitivas que não acrescentem novas informações.
Também é indicado diminuir notificações de aplicativos, silenciar grupos que provoquem tensão e interromper conversas quando houver agressividade ou desrespeito.
A manutenção de hábitos saudáveis, como dormir adequadamente, praticar atividades físicas, preservar momentos de lazer e manter o convívio social, também contribui para o equilíbrio emocional.
Priscila ressalta que reduzir temporariamente o consumo de notícias não significa abandonar o interesse pela política, mas estabelecer limites para que o acompanhamento eleitoral não comprometa outras áreas da vida.
A busca por acompanhamento psicológico é recomendada quando a preocupação se torna persistente e provoca insônia frequente, dificuldades de concentração, conflitos recorrentes ou incapacidade de controlar a necessidade de verificar notícias.
Segundo Handreza, a terapia cognitivo-comportamental pode auxiliar na identificação de pensamentos que intensificam a ansiedade, no desenvolvimento da tolerância à incerteza e na mudança de comportamentos repetitivos.
Já manifestações como alucinações, delírios e desorganização importante do pensamento exigem avaliação profissional, por serem diferentes das reações habituais de preocupação eleitoral.
As especialistas reforçam que a participação política pode ser mantida sem comprometer a saúde mental, desde que o acompanhamento das eleições seja equilibrado com as demais atividades e necessidades pessoais.
Com informações de Metrópoles







