A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou, na manhã desta segunda-feira (12), as operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas com o emprego de uma aeronave KC-390 Millennium, equipada com um sistema capaz de lançar até 12 mil litros de água pressurizada em uma única passagem sobre os focos de incêndio. A primeira missão ocorreu em meio à intensa fumaça que atinge a região, dificultando a visibilidade e exigindo cuidados adicionais das tripulações.

De acordo com a FAB, outras duas decolagens estavam previstas para esta segunda-feira. O planejamento operacional estabelece uma média de três missões diárias, com possibilidade de ajustes conforme as condições climáticas e a localização dos incêndios.

O comandante do Esquadrão Zeus, tenente-coronel aviador Daniel Souza, relatou que a tripulação identificou uma grande concentração de fumaça logo após a decolagem e precisou localizar os pontos mais críticos antes de iniciar os lançamentos.

“Logo que decolamos, nós já verificamos uma grande fumaça na região. E, a partir daí, começamos a procurar os focos de incêndio que fossem mais críticos e necessariamente precisavam ser combatidos”, afirmou.

Segundo o oficial, os lançamentos foram realizados após a identificação das áreas prioritárias e a execução dos procedimentos de segurança previstos no planejamento da missão.

KC-390 utiliza tecnologia para lançar 12 mil litros de água com precisão

Uma das principais ferramentas utilizadas pela FAB é o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS), instalado no KC-390 Millennium.

O equipamento permite adaptar a aeronave militar, originalmente projetada para diferentes tipos de missões, para o combate aéreo aos incêndios florestais.

Conforme explicou Daniel Souza, o sistema possibilita o lançamento de até 12 mil litros de água pressurizada em uma única passagem, permitindo atingir áreas previamente identificadas pelas equipes de monitoramento.

“A aeronave KC-390 é uma ferramenta excepcional. Ela tem várias capacidades, é uma aeronave multimissão, então ela é reconfigurável. E uma das missões que ela faz é o combate a incêndios. Temos o equipamento MAFFS, que configuramos na aeronave, e numa única passagem lançamos 12 mil litros de água pressurizada”, explicou.

O comandante destacou que a tecnologia embarcada também permite atualizar, durante o voo, as informações sobre a localização dos incêndios.

Fumaça e deslocamento do fogo são desafios para as tripulações

Além da baixa visibilidade provocada pela fumaça, as equipes precisam lidar com as mudanças constantes na direção e na intensidade dos incêndios.

Segundo o tenente-coronel, os focos podem se deslocar conforme as condições meteorológicas, exigindo ajustes durante as operações.

“O maior desafio de se combater incêndios é que o incêndio se movimenta de acordo com o tempo. Só que a aeronave KC-390 tem tecnologias tão avançadas que os focos de incêndio a gente consegue inserir no nosso sistema do avião e verificar e fazer lançamentos precisos”, destacou.

Antes de cada decolagem, as equipes analisam a localização dos incêndios, realizam reuniões de segurança e preparam o abastecimento da aeronave.

Durante o voo, os militares verificam se os focos permanecem nas posições inicialmente identificadas. Caso ocorram alterações, o planejamento pode ser ajustado por meio dos sistemas da aeronave.

FAB não estabelece prazo para encerrar operações no Amazonas

O comandante do Esquadrão Zeus informou que a permanência das equipes no Amazonas dependerá das necessidades operacionais e da evolução dos incêndios.

“A nossa permanência aqui vai depender da procura da própria Força Aérea. Viemos para cá sem saber quando voltaríamos, o foco principal é apagar os incêndios”, declarou.

Daniel Souza também destacou o trabalho dos militares responsáveis pelo abastecimento e pela manutenção das aeronaves.

Segundo ele, as equipes de solo permanecem mobilizadas para permitir que o KC-390 retorne às operações após cada pouso, reduzindo o intervalo entre as missões.

“Toda vez que a gente aterrissa, a equipe de solo já está preparada para reabastecer a aeronave com água pressurizada, e então a gente faz a decolagem. Portanto, as equipes estão sempre preparadas para que a gente opere ininterruptamente”, afirmou.

Governo Federal disponibiliza 11 aeronaves para combater incêndios

Além das operações da FAB, o Governo Federal ampliou o apoio ao enfrentamento das queimadas no Amazonas com a disponibilização de 11 aeronaves para missões de combate e suporte logístico.

Conforme as informações divulgadas, a estrutura mobilizada inclui seis aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água, e três helicópteros destinados ao apoio das operações.

Também foi informado o emprego de um avião Caravan no transporte de brigadistas, além da disponibilidade de duas aeronaves KC-390 do Ministério da Defesa.

As aeronaves do Ibama já iniciaram atividades nas proximidades de Manaus, enquanto as operações aéreas de combate também começaram na região do Baixo Amazonas.

O reforço federal inclui ainda brigadistas florestais que atuam em conjunto com as equipes estaduais e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.

A estratégia busca combinar o lançamento aéreo de água com a atuação terrestre dos profissionais, especialmente em regiões de difícil acesso.

Combate aos incêndios envolve atuação conjunta entre União e Estado

A mobilização das aeronaves ocorre em meio à intensificação das ações de enfrentamento aos incêndios florestais no Amazonas, que enfrenta os efeitos da estiagem e da fumaça em diferentes municípios.

Nesta segunda-feira, o governador Roberto Cidade também reuniu prefeitos, representantes municipais e integrantes do Governo Federal para alinhar medidas emergenciais e definir prioridades de atendimento às regiões mais afetadas.

A atuação conjunta prevê o compartilhamento de informações sobre os focos de incêndio, a mobilização de equipes e o emprego dos recursos disponíveis de acordo com as necessidades identificadas.

Com as operações aéreas iniciadas, a expectativa dos órgãos envolvidos é ampliar a capacidade de resposta aos incêndios, enquanto brigadistas e bombeiros seguem atuando diretamente nas áreas atingidas pelo fogo.

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