
Mais da metade dos municípios do Amazonas está sob situação de emergência em razão do avanço dos incêndios florestais e dos efeitos da estiagem. Ao todo, 36 das 62 cidades do estado foram incluídas no Decreto Estadual nº 55.751, de 10 de outubro de 2026, que estabelece medidas excepcionais por 180 dias para enfrentar as queimadas, reduzir os danos ambientais e proteger a população dos efeitos da fumaça.
A decisão do Governo do Amazonas ocorre diante do agravamento das condições climáticas, marcado por chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas e aumento dos riscos de propagação do fogo. Entre as cidades abrangidas estão Manaus, Maués, Parintins, Itacoatiara, Manacapuru, Autazes, Tefé, Humaitá e Lábrea.
Além dos incêndios que atingem áreas de vegetação, a preocupação das autoridades se estende à qualidade do ar. A fumaça provocada pelas queimadas representa uma ameaça à saúde pública, principalmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Governo aponta risco de agravamento das queimadas no Sul do Amazonas e entorno de Manaus
Uma nota técnica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), utilizada como fundamento para o decreto, identifica as regiões Sul do Amazonas e Metropolitana de Manaus como áreas que exigem atenção especial.
Segundo o documento, a influência do fenômeno El Niño, associada à redução das chuvas e às temperaturas acima da média, pode agravar o déficit hídrico e criar condições favoráveis à expansão dos incêndios florestais.
O cenário preocupa também pelos efeitos da fumaça sobre os centros urbanos e as comunidades do interior, onde as dificuldades de deslocamento podem comprometer o atendimento às ocorrências.
A declaração de emergência permite ao Estado organizar uma resposta mais ampla, direcionando esforços às localidades com maior necessidade de intervenção.
Comitê vai coordenar combate ao fogo e assistência às famílias
Com a publicação do decreto, o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) assume a coordenação das medidas emergenciais.
O trabalho envolverá a articulação entre órgãos estaduais para organizar operações de combate aos focos de incêndio, acompanhar as condições ambientais e prestar assistência às populações afetadas.
Também estão previstas iniciativas voltadas à recuperação das áreas atingidas pelo fogo.
A estratégia considera que os impactos da estiagem não são iguais em todos os municípios. Por isso, o planejamento deverá levar em conta as condições de cada região, a localização dos incêndios e as dificuldades enfrentadas pelas equipes em campo.
Governo Federal amplia participação nas ações contra incêndios
O enfrentamento das queimadas também contará com a participação do Governo Federal, que, segundo o comunicado estadual, reconheceu a situação de emergência e iniciou a articulação de medidas de apoio ao Amazonas.
A cooperação busca reunir recursos e equipes das duas esferas de governo para ampliar a capacidade de resposta, especialmente nas regiões onde o avanço do fogo exige maior mobilização.
As medidas federais deverão complementar as operações que o Estado já desenvolve desde maio, por meio da Operação Amazonas Mais Verde.
A iniciativa reúne ações de fiscalização ambiental, prevenção de queimadas e combate aos incêndios florestais, com atuação de órgãos responsáveis pela proteção ambiental e pela resposta às emergências.
Manaus, Maués e Parintins estão entre as cidades atingidas pela medida
O decreto abrange 36 municípios distribuídos por diferentes regiões do Amazonas. A maior concentração está na Região Metropolitana de Manaus e no Sul do estado, mas a relação também inclui cidades do Baixo Amazonas, Médio Solimões e outras áreas.
Confira a relação completa, conforme o Governo do Amazonas:
Região Metropolitana de Manaus — 13 municípios: Autazes, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Silves.
Sul do Amazonas — 10 municípios: Apuí, Boca do Acre, Borba, Canutama, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e Tapauá.
Demais municípios — 13: Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Coari, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Tefé e Urucurituba.
A inclusão dessas cidades no decreto estabelece um instrumento administrativo para intensificar as ações de enfrentamento aos incêndios durante o período de emergência.
Medida terá validade de seis meses
A situação de emergência terá vigência de 180 dias, período em que o Governo do Amazonas deverá manter o acompanhamento das condições climáticas e das ocorrências de incêndios florestais.
A duração da medida também considera a possibilidade de agravamento da estiagem em determinadas regiões, exigindo ações de prevenção e planejamento para reduzir os impactos ambientais e sociais.
Além do combate direto às chamas, o desafio das autoridades será minimizar os efeitos da fumaça sobre a população e garantir atendimento às comunidades mais vulneráveis.







