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Falar durante o sono, condição conhecida como sonilóquio, é um comportamento relativamente comum e, na maioria das vezes, não representa um problema de saúde. O fenômeno consiste na emissão de palavras, frases ou sons enquanto a pessoa dorme, sem que ela tenha consciência do que está acontecendo.

Embora seja mais frequente na infância e na adolescência, o sonilóquio pode ocorrer em qualquer fase da vida. Os episódios variam desde murmúrios e palavras isoladas até conversas aparentemente organizadas.

Segundo especialistas, o comportamento ocorre quando determinadas áreas do cérebro responsáveis pela linguagem apresentam ativação parcial durante o sono. O cérebro não desperta completamente, mas algumas funções permanecem temporariamente ativas, permitindo a fala.

O neurologista Diogo Haddad explica que o sonilóquio pode acontecer tanto durante o sono REM, fase associada aos sonhos mais intensos, quanto durante o sono não REM. Em geral, trata-se de uma parassonia, grupo de comportamentos considerados anormais durante o sono, mas que nem sempre indicam doenças neurológicas.

Fatores como privação de sono, estresse, ansiedade, cansaço excessivo e alterações emocionais podem aumentar a frequência dos episódios. O psiquiatra Bruno Pascale Cammarota destaca que a ansiedade pode deixar o organismo em estado de alerta, fazendo com que o cérebro continue processando preocupações durante o descanso.

Além disso, o uso de substâncias estimulantes, como anfetaminas, cocaína e alguns medicamentos, também pode favorecer o surgimento do problema.

Na maioria dos casos, falar dormindo não exige tratamento. No entanto, alguns sinais merecem atenção médica, especialmente quando os episódios surgem pela primeira vez na vida adulta ou passam a ser acompanhados por movimentos intensos, quedas da cama, agressividade durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia.

Também é recomendada avaliação especializada quando o problema interfere na qualidade do descanso, causa cansaço frequente, dificuldade de concentração ou está associado a roncos intensos, pausas respiratórias e outros distúrbios do sono.

O diagnóstico adequado pode ajudar a identificar fatores emocionais ou alterações do sono que necessitem de tratamento, contribuindo para uma melhora na qualidade de vida e no descanso noturno.

Com informações de Metrópoles

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