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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil identificaram que a empresa IRKA, alvo da Operação Falsa Las Vegas, deflagrada nesta quinta-feira (28/5), realizou transferências bancárias para suspeitos investigados pelo assassinato de Antônio Vinícius Gritzbach (foto de capa), delator do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A análise desses pagamentos revelou que a IRKA mantinha vínculos com integrantes da cúpula do PCC. Durante as investigações, o proprietário formal da empresa confessou ser apenas um “laranja” que recebia pagamentos mensais para ceder documentos, enquanto a estrutura era controlada integralmente por terceiros ligados à facção criminosa.

No inquérito, Gritzbach aparece como o ponto final de um fluxo financeiro que envolvia o núcleo operacional do grupo. Os investigadores apontam que a estrutura de lavagem de dinheiro era utilizada para financiar e sustentar crimes violentos.

Operação Falsa Las Vegas

Operação Falsa Las Vegas investiga um esquema bilionário de exploração ilegal de apostas e lavagem de dinheiro com suspeita de ligação com o PCC. Durante a ação, dois investigados foram presos e um helicóptero acabou apreendido.

A ação é um desdobramento da Operação Falso Mercúrio e mira empresários, operadores financeiros, empresas de fachada e plataformas de apostas suspeitas de movimentar recursos do crime organizado.

Segundo os investigadores, o grupo operava uma estrutura clandestina de jogos de azar que utilizava plataformas digitais, fintechs, contas de passagem e laranjas para ocultar dinheiro e dificultar o rastreamento das operações financeiras.

As investigações apontam que a plataforma Aposte Fácil operava com aparência de legalidade ao utilizar referências à Loterj e sistemas de pagamento formalizados. Paralelamente, o grupo mantinha a plataforma clandestina Black Vegas, hospedada fora do país, para oferta de jogos ilegais como Tigrinho e Jogo do Bicho.

Pagamentos eram feitos principalmente via Pix e direcionados a empresas usadas para intermediar as movimentações financeiras do esquema.

As apurações revelaram ainda que a sede da empresa ASX Participações e Tecnologia funcionava como uma espécie de centro operacional da organização criminosa.

No local, investigadores apreenderam anotações manuscritas, registros financeiros, documentos ligados às plataformas de apostas e materiais relacionados à circulação de grandes quantias de dinheiro.

A investigação também identificou sofisticada engrenagem de lavagem de dinheiro baseada em empresas de fachada, contas bancárias pulverizadas e uso de pessoas interpostas. Segundo a polícia, alguns laranjas recebiam pagamentos mensais apenas para emprestar documentos pessoais para abertura de empresas e contas bancárias.

Os investigadores apontam ainda que o grupo utilizava operações fracionadas para converter dinheiro em espécie em depósitos bancários, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

Nesta fase da operação, a Justiça autorizou cinco prisões preventivas, 22 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e ativos financeiros que ultrapassam R$ 5,2 bilhões. Ao todo, 76 imóveis foram sequestrados pelas autoridades.

Com informações do Metrópoles.

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