
A transferência de 70 policiais militares custodiados do antigo núcleo prisional da PMAM, em Manaus, terminou em tumulto, protestos de familiares e intervenção das forças de segurança nesta terça-feira (12). Mulheres chegaram a bloquear os ônibus da escolta sentando no chão em frente aos veículos, enquanto equipes do Batalhão de Choque utilizaram spray de pimenta para liberar a saída dos detentos rumo à nova A ação culminou na remoção dos detentos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), instalada na BR-174, nas proximidades do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
A movimentação ocorreu durante a Operação Sentinela Maior, coordenada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), em parceria com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
O que era previsto para ocorrer ainda nas primeiras horas do dia sofreu atraso de cerca de seis horas devido à resistência de familiares e também dos próprios custodiados. Vídeos gravados no local mostram mulheres sentadas em frente aos ônibus utilizados na operação, numa tentativa de impedir a saída dos veículos.
A tensão aumentou durante a liberação dos ônibus, quando parentes dos presos entraram em confronto verbal com equipes do Batalhão de Choque e do Comando de Policiamento Especializado (CPE). Em meio à confusão, agentes utilizaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes e garantir o deslocamento da escolta.
Familiares alegaram preocupação com a segurança dos policiais militares na nova unidade prisional. Segundo os relatos, existe temor de que os PMs fiquem em áreas próximas a presos comuns do sistema penitenciário estadual.
Além dos protestos externos, os próprios policiais militares custodiados também demonstraram resistência à transferência. Conforme informações repassadas no local, parte dos detentos se recusou inicialmente a embarcar nos ônibus, sendo necessário um processo de negociação para que a remoção fosse concluída.
A operação mobilizou mais de 100 agentes das forças de segurança e chamou a atenção de moradores da região pela intensa movimentação de viaturas, equipes táticas e bloqueios nas proximidades do núcleo prisional.
A nova UPPM/AM passa a funcionar no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus, estrutura que posteriormente operou como Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec). Segundo a Seap, o novo espaço foi adaptado para funcionar como unidade prisional formal da Polícia Militar, com reforço na segurança e controle administrativo mais rígido.
A desativação do antigo núcleo prisional ocorre após a fuga de 23 policiais militares registrada em fevereiro deste ano. Na ocasião, a ausência dos detentos foi identificada durante vistoria de rotina. Parte dos foragidos retornou espontaneamente ainda no mesmo dia.
O episódio desencadeou investigações do Ministério Público e levou à prisão de policiais suspeitos de facilitar a saída dos custodiados. O então responsável pela unidade, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso durante as apurações e posteriormente excluído da corporação por decisão do governo estadual baseada em pareceres jurídicos e entendimento do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).







