
Flávio Bolsonaro (PL) iniciou uma rodada de articulações com ex-adversários, partidos e governadores para ampliar sua base política no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. O senador terminou a primeira etapa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual, equivalente a cerca de 2,2 milhões de votos. Apesar da vantagem no primeiro turno, o resultado não é transferido para a segunda votação, o que leva as duas campanhas a disputar os eleitores dos candidatos eliminados, além de buscar maior participação entre quem não compareceu às urnas.
Uma das prioridades de Flávio é conquistar o apoio de antigos adversários. Ronaldo Caiado (PSD), que terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 2,18%, confirmou que pretende apoiar o candidato do PL. O anúncio público está previsto para esta terça-feira (6), durante encontro em Goiânia com a participação de Flávio e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Romeu Zema (Novo) também declarou apoio ao senador. Já Augusto Cury (Avante), terceiro colocado, indicou que não pretende apoiar nenhum dos dois finalistas.
Partidos e governadores entram nas articulações
A campanha também busca aproximação com partidos que não apoiaram formalmente Flávio no primeiro turno. União Brasil e PP discutem a posição que adotarão na nova etapa, enquanto o Republicanos reúne lideranças que estiveram em campos diferentes durante a primeira votação.
O PSD decidiu manter neutralidade nacional e liberar suas lideranças estaduais para escolher individualmente quem apoiar. Isso permite, por exemplo, que Caiado se alinhe a Flávio sem que a decisão represente necessariamente um apoio formal de todo o partido.
Além das negociações partidárias, o PL pretende utilizar a estrutura conquistada nas eleições legislativas. Deputados e senadores eleitos pela legenda devem se reunir nesta quarta-feira (7), em Brasília, para discutir a mobilização nos estados. O partido elegeu 121 deputados federais e 19 senadores.
Tarcísio deve ter participação mais intensa na campanha em São Paulo. Em Minas Gerais, Flávio conta com aliados como Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Nikolas Ferreira (PL). No Rio de Janeiro, a campanha também pretende reforçar a mobilização de sua base eleitoral.
Nordeste está entre os focos da campanha
Outra prioridade será o Nordeste, onde Lula permaneceu à frente nos nove estados no primeiro turno. A estratégia do PL é reduzir a vantagem do petista na região enquanto tenta preservar e ampliar o desempenho obtido por Flávio em outras partes do país.
Na comparação apresentada pela campanha e pelo levantamento do Metrópoles com a eleição de 2022, Flávio ampliou a votação obtida pelo pai, Jair Bolsonaro, em 26 unidades da Federação, enquanto Lula perdeu votos em 19 estados. A comparação, porém, envolve eleições com candidaturas, contextos e níveis de comparecimento diferentes e não determina como esses eleitores votarão no segundo turno.
Com uma disputa separada por menos de dois pontos percentuais, as campanhas entram agora em uma etapa em que apoios partidários podem fornecer estrutura, palanques regionais e tempo de mobilização, mas não significam transferência automática dos votos recebidos pelos candidatos derrotados.
Com informações de Metrópoles







