
A cidade de Genebra, na Suíça, tornou-se o epicentro da diplomacia global nesta semana, ao sediar duas rodadas de negociações de alta importância mediadas pelos Estados Unidos. A agenda inclui tratativas para o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quatro anos, e discussões sobre o programa nuclear iraniano, em meio a tensões e ameaças de invasão.
Negociações Nucleares entre EUA e Irã:
A cúpula nuclear está prevista para esta terça-feira (17/2), e já conta com a presença do ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, e do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. Este encontro marca a sexta rodada de negociações sobre o tema, com um histórico de idas e vindas.
- Objetivo dos EUA: O presidente Donald Trump tem como meta impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, considerando um controle de armamentos essencial para a segurança global.
- Contexto Histórico: Um pacto nuclear foi assinado em 2015, prevendo a limitação do enriquecimento de urânio e a redução da atividade nuclear iraniana. No entanto, em 2018, Trump abandonou o acordo por considerá-lo prejudicial aos interesses norte-americanos.
- Posição Iraniana: Às vésperas da cúpula, Araghchi reiterou que o Irã busca uma solução diplomática e não aceitará ameaças. O Irã insiste em negociar apenas o dossiê nuclear, buscando a garantia de não invasão e uma manifestação da AIEA sobre os ataques sofridos no ano passado, o que pode destravar a retomada das inspeções.
- Ameaças e Pressões: As negociações foram retomadas após um período travado por uma ofensiva de Israel em junho de 2025, que incluiu ataques dos EUA a três instalações nucleares iranianas. A professora de Direito Internacional da UFRGS, Tatiana Squeff, avalia que a ameaça militar dos EUA busca impor domínio na mesa de negociações para garantir um acordo benéfico, especialmente em petróleo, gás e minérios. Trump também tem incentivado protestos contra o regime dos aiatolás, o que o Irã interpreta como interferência externa.
- Proposta dos EUA: A ideia norte-americana para o programa é um aprimoramento do acordo New START, que visa limitar a proliferação de ogivas nucleares e lançadores ativos, além de prever inspeções.
Conversas sobre a Guerra na Ucrânia:
Representantes dos EUA, Rússia e Ucrânia também se reunirão em Genebra nos dias 17 e 18 de fevereiro, com o objetivo de buscar uma solução para o conflito que já dura quatro anos.
A complexidade das pautas e a divergência de interesses indicam que as negociações em Genebra serão desafiadoras, mas cruciais para a estabilidade global.







