
O governo brasileiro determinou a expulsão do cidadão russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado como agente de inteligência da Rússia e preso no Brasil desde 2022 por uso de documentos falsos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e estabelece que, após deixar o país, ele ficará proibido de retornar ao território brasileiro pelos próximos 30 anos.
Cherkasov foi preso ao retornar ao Brasil depois de tentar ingressar na Holanda utilizando um passaporte brasileiro emitido em nome de “Victor Muller”, identidade considerada falsa pelas autoridades. Desde então, ele cumpre pena de 15 anos de prisão na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima.
A medida foi assinada pela coordenadora de processos migratórios do Ministério da Justiça, Alessandra Teixeira de Araújo, com base na Lei de Imigração. Segundo a publicação oficial, a expulsão será executada após o cumprimento da pena ou caso a Justiça autorize sua liberação antes do término da condenação.
A decisão foi tomada após análises do Ministério da Justiça, que recebeu manifestação da Justiça Federal informando que não havia mais processos pendentes contra o russo no Distrito Federal. Além disso, o governo solicitou informações complementares à Polícia Federal, à Justiça Federal em São Paulo, à Justiça Federal do Rio de Janeiro, ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para consolidar a análise do caso.
Disputa internacional
O destino de Cherkasov despertou interesse de diferentes governos. A Rússia solicitou sua extradição alegando acusações relacionadas ao tráfico internacional. No entanto, após avaliar a documentação apresentada, a Polícia Federal concluiu que o pedido poderia representar uma tentativa de repatriar o agente.
Os Estados Unidos também acompanharam o caso. Informações compartilhadas por órgãos de inteligência americanos indicam que Cherkasov teria utilizado identidade falsa para atuar em território norte-americano, onde teria realizado atividades de espionagem enquanto estudava em uma universidade.
Rede de espionagem
As investigações da Polícia Federal revelaram a existência de uma ampla estrutura de espionagem russa que utilizava o Brasil como base para a criação de identidades falsas destinadas à atuação em diferentes países da América Latina e em outras regiões do mundo.
Segundo a corporação, o esquema funcionou durante mais de uma década e envolveu pelo menos dez suspeitos identificados desde 2022. A maioria deixou o Brasil após ser descoberta, enquanto um dos investigados ainda responde por uso de documentos falsos.
De acordo com os investigadores, os agentes construíam perfis completos de cidadãos brasileiros, com documentação regular, histórico profissional e vida social aparentemente legítimos. Entre os disfarces identificados estavam empresários, estudantes universitários e modelos, facilitando a obtenção de vistos e a circulação internacional.
Como o caso foi descoberto
A investigação começou quando Cherkasov tentou assumir um cargo no Tribunal Penal Internacional, na Holanda. As autoridades holandesas identificaram inconsistências em seus documentos e impediram sua entrada no país, devolvendo-o ao Brasil.
Ao desembarcar em território brasileiro, ele foi preso por uso de documentação falsa. Durante as apurações, a Polícia Federal encontrou novos indícios de crimes, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e espionagem.
As investigações apontam que o objetivo do agente era obter acesso a informações estratégicas relacionadas ao Tribunal Penal Internacional, instituição que conduz investigações sobre crimes de guerra. Segundo a PF, mensagens, documentos e registros financeiros encontrados durante o inquérito indicam que Cherkasov mantinha contato com superiores na Rússia e recebia recursos para custear sua permanência no Brasil.
A partir da análise desse material, a Polícia Federal ampliou as investigações e identificou ligações entre integrantes da rede de espionagem e representações diplomáticas russas instaladas no Brasil, incluindo o consulado no Rio de Janeiro e a embaixada em Brasília. As apurações sobre o caso continuam.







