William Cardoso/Metrópoles

O governo federal estuda a criação de uma linha de crédito voltada para entregadores por aplicativo, com o objetivo de facilitar o financiamento e a renovação de motocicletas utilizadas como ferramenta de trabalho. A proposta ainda não foi oficialmente lançada, mas já está em discussão entre diferentes áreas da administração federal.

A iniciativa busca oferecer condições mais acessíveis de financiamento para trabalhadores que dependem da motocicleta para gerar renda, incluindo taxas de juros reduzidas e prazos mais longos para pagamento.

Segundo integrantes do governo, a medida deve seguir modelo semelhante ao programa anunciado para motoristas de aplicativo e taxistas, que prevê condições especiais para aquisição de veículos.

Atualmente, muitos entregadores recorrem a financiamentos com juros elevados ou ao aluguel de motocicletas para exercer a atividade. A avaliação do governo é que essa situação aumenta o custo de permanência na profissão e pode contribuir para o endividamento dos trabalhadores.

A proposta em estudo prevê participação de bancos públicos para ampliar a oferta de crédito e reduzir as taxas cobradas. No entanto, autoridades reconhecem que a viabilização financeira do programa ainda enfrenta desafios, principalmente devido à percepção de risco associada ao perfil de parte dos beneficiários, que atuam de forma informal.

A equipe econômica avalia alternativas para reduzir esse risco, incluindo mecanismos de garantia e a utilização de estruturas já existentes voltadas ao crédito produtivo.

Medida integra pacote voltado a trabalhadores informais

A linha de crédito para entregadores faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para ampliar o acesso ao financiamento e estimular a geração de renda entre trabalhadores informais e de baixa renda.

Nos últimos meses, foram anunciadas iniciativas voltadas a motoristas de aplicativo, taxistas e programas de renegociação de dívidas. O governo também discute mudanças relacionadas ao trabalho em plataformas digitais, incluindo temas como remuneração mínima e condições de trabalho.

Entre as medidas em debate para os entregadores estão a criação de valores mínimos por entrega, pagamento adicional por distância percorrida, instalação de pontos de apoio para descanso e maior transparência nas regras adotadas pelas plataformas.

As propostas vêm sendo discutidas em grupos de trabalho que reúnem representantes do governo, das empresas do setor e dos próprios trabalhadores.

Apesar do avanço das negociações, ainda não há uma data oficial para o lançamento da linha de crédito. A expectativa é que os detalhes finais sejam definidos antes do anúncio público do programa.

Segundo integrantes do governo, a intenção é criar uma iniciativa com alcance nacional e capacidade de atender um número significativo de profissionais que utilizam motocicletas como principal instrumento de trabalho.

Com informações de Metrópoles

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