Vinicius Schmidt/ Metrópoles

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deve encaminhar diretamente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho e põe fim à escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos para ter um dia de descanso.

A expectativa surge após pressão de parlamentares que defendem a tramitação da proposta conforme o rito tradicional adotado pelo Senado para emendas constitucionais. Alcolumbre informou que irá reunir líderes partidários nos próximos dias para discutir o andamento da matéria.

Na semana anterior, o presidente da Casa havia sinalizado a possibilidade de criar uma comissão especial para analisar a PEC antes da votação em plenário. A alternativa gerou resistência entre senadores, que argumentam que esse procedimento não tem sido utilizado para propostas constitucionais nos últimos anos.

Segundo o Regimento Interno do Senado, as PECs devem ser encaminhadas inicialmente à Comissão de Constituição e Justiça para emissão de parecer. Após essa etapa, a matéria pode seguir para apreciação do plenário.

Embora a criação de uma comissão especial não seja proibida pelas normas da Casa, parlamentares afirmam que o rito específico das propostas de emenda à Constituição não prevê obrigatoriamente essa fase adicional, o que poderia prolongar a tramitação.

Governistas veem proposta como pauta estratégica

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideram a mudança na jornada de trabalho uma das principais pautas sociais em discussão no Congresso Nacional. Nos bastidores, parlamentares governistas avaliam que a criação de uma comissão especial poderia retardar o avanço da proposta.

A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e agora depende da análise dos senadores para continuar avançando no Legislativo.

Senadores favoráveis ao texto argumentam que o mundo do trabalho passou por transformações significativas nas últimas décadas e defendem a atualização da carga horária prevista na legislação brasileira.

Apesar disso, lideranças políticas reconhecem que o caminho da proposta no Senado ainda dependerá da construção de consensos entre diferentes bancadas e do posicionamento da presidência da Casa.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que Davi Alcolumbre mantém forte influência sobre a pauta de votações e sobre as negociações entre os líderes partidários, fator considerado decisivo para o avanço de matérias de grande impacto político.

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho promete ocupar espaço relevante nos debates legislativos dos próximos meses, envolvendo representantes do governo, da oposição, do setor empresarial e de entidades ligadas aos trabalhadores.

Com informações de Metrópoles

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