O governo federal deve se reunir na próxima terça-feira (29) com representantes de clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para discutir os impactos da Medida Provisória que proibiu as chamadas bets no país.

O encontro será organizado pelos ministérios do Esporte e da Fazenda e faz parte das conversas iniciadas pelo governo com dirigentes esportivos nas últimas semanas. A reunião ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, na sexta-feira (25), a MP que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil.

Governo avalia linhas de crédito

Entre as possibilidades discutidas estão duas linhas de atuação para auxiliar os clubes. Uma delas seria destinada à renegociação ou financiamento de passivos das equipes, enquanto a outra teria como objetivo oferecer crédito para investimentos futuros.

A possibilidade de apoio aos clubes já vinha sendo analisada antes da publicação da MP. Entre as alternativas avaliadas pelo governo estavam linhas de crédito com juros reduzidos e programas para renegociação de dívidas.

O governo também pretende ouvir as demandas apresentadas pelos dirigentes durante o encontro.

Clubes podem perder contratos de patrocínio

A proibição das bets afeta diretamente o futebol brasileiro, já que 14 dos 20 clubes da Série A tinham casas de apostas como patrocinadoras principais, segundo levantamento divulgado pela CNN Brasil. Na Série B, 13 das 20 equipes também possuíam vínculos com empresas do segmento.

Com a entrada em vigor da medida, os contratos atualmente mantidos com empresas de apostas deverão ser afetados. O governo, por outro lado, afirma que alguns clubes possuem situação financeira confortável e que empresas de outros setores já demonstram interesse em ocupar os espaços deixados pelas bets.

Clubes haviam se manifestado contra proibição

Antes da confirmação da medida, diversos clubes brasileiros divulgaram um manifesto defendendo a manutenção do mercado regulado de apostas, com mais fiscalização e mecanismos de proteção aos consumidores.

Entre os clubes que assinaram o documento estão Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG. As equipes argumentaram que uma interrupção abrupta dos contratos poderia afetar receitas destinadas à manutenção de estruturas, centros de treinamento e projetos esportivos.

Após o anúncio da MP, dirigentes voltaram a demonstrar preocupação com os efeitos financeiros da decisão. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, por exemplo, estimou que o futebol brasileiro poderá perder cerca de R$ 2,5 bilhões em receitas no próximo ano. Trata-se de uma estimativa apresentada pelo dirigente, e não de um cálculo oficial do governo.

Empresas e entidades ligadas ao setor de apostas também afirmaram que pretendem questionar a medida na Justiça.

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