
A preservação de uma língua representa a continuidade da história, da identidade e dos conhecimentos de um povo. Com esse propósito, a Gramática da Língua Kambeba ganhou uma edição impressa, entregue nesta terça-feira (27), no Centro Educacional de Tempo Integral (CETI) Áurea Pinheiro Braga, na zona oeste de Manaus. A iniciativa busca ampliar o acesso à língua indígena e contribuir para que os saberes ancestrais sejam transmitidos às novas gerações.
Desenvolvida pelo professor Raimundo Cruz da Silva Kambeba e pelo professor e doutor em Linguística Ademar dos Santos Lima, a obra registra e valoriza o idioma do povo Kambeba, também conhecido como Omágua, historicamente associado aos povos das águas da Amazônia.
A impressão e a entrega dos exemplares são resultado de uma iniciativa da jovem embaixadora de impacto social Joana Gastaldi, em parceria com a Amazônia B, o Instituto Ecoleta e a comunidade indígena Três Unidos, localizada às margens do rio Cuieiras, no Amazonas.
A ação reforça a importância da educação intercultural como instrumento de preservação da língua materna e de valorização dos conhecimentos tradicionais. Para Bellmond Viga, diretor executivo da Amazônia B, a iniciativa representa uma oportunidade de aproximar os jovens da cultura amazônica e fortalecer a presença dos idiomas indígenas na sociedade.
“Faz parte da educação intercultural que eles fazem ali dentro da comunidade, onde eles alfabetizam bilíngue todos os jovens que passam ali pelo processo de alfabetização. E, mais do que isso, entendendo a importância, né, desse convite, é um mergulho na cultura amazônica, onde deixa esse legado de ter mais uma língua viva”, afirmou Bellmond.
A valorização das tradições indígenas também foi destacada pela secretária executiva adjunta da Capital da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), Edilene Pinheiro. Segundo ela, a rede de ensino tem um papel importante na preservação das línguas maternas e na aproximação dos estudantes com os conhecimentos das comunidades tradicionais.
“Então nós temos, enquanto Secretaria de Educação, manter essas tradições, manter a língua materna desse povo e valorizar e trazer para os nossos estudantes todo esse rico conhecimento que as nossas comunidades tradicionais têm aqui no nosso estado, na nossa capital”, declarou.
A iniciativa está alinhada ao debate internacional sobre a preservação dos idiomas indígenas, reforçado pela Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), que incentiva ações de documentação, revitalização e valorização dessas línguas. Nesse contexto, a edição impressa da gramática contribui para ampliar o acesso à história e à identidade do povo Kambeba.
Projeto na quadra aproxima jovens da sustentabilidade
Além do lançamento da gramática, a programação contou com uma atividade na quadra da escola por meio do projeto Escolas do Futuro Guardiões da Amazônia. A ação reuniu estações de conhecimento sobre sustentabilidade e aproximou os jovens de temas relacionados à educação, à tecnologia e às oportunidades no mercado de trabalho.
Durante a atividade, Bellmond Viga destacou que a sustentabilidade está presente em diferentes áreas profissionais e que os jovens da região precisam estar preparados para participar das transformações econômicas e sociais da Amazônia.
“Para que esse jovem possa ampliar a sua visão sobre sustentabilidade, para ele entender que a sustentabilidade tá dentro da eficiência energética, tá dentro da engenharia civil, tá dentro do desenvolvimento social, tá dentro do desenvolvimento urbano, tá dentro da educação”, explicou.
O diretor também ressaltou a importância de preparar os estudantes para as oportunidades profissionais ligadas à sustentabilidade e à tecnologia, defendendo que os próprios amazonenses ocupem esses espaços.
A programação também destacou o protagonismo juvenil na construção de uma sociedade mais consciente e comprometida com o futuro. Para Joana Gastaldi, participar de iniciativas com esse propósito é uma forma de incentivar os jovens a contribuir positivamente para a comunidade.
“Eu acho muito importante vir aqui, falar para os jovens, especificamente nesse evento que tivemos hoje, para que eu possa, de certa forma, incentivar eles a continuarem contribuindo positivamente na sociedade, porque eu acredito que a gente faz parte do nosso futuro e a gente faz parte de um futuro melhor”, afirmou.
A jovem embaixadora também participa da iniciativa de entrega da gramática, com o objetivo de ampliar o acesso à obra e fortalecer o reconhecimento da língua Kambeba entre as novas gerações.







