
O governo do presidente Donald Trump confirmou, nesta terça-feira (27), que os Estados Unidos concederão vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e a seus familiares, permitindo a entrada deles em território americano. A decisão ocorre em meio à repercussão da saída do parlamentar do Brasil, após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido sua viagem ao exterior e ordenado a entrega de seus passaportes à Polícia Federal (PF).
A informação foi confirmada ao portal Metrópoles por uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano. Apesar da autorização para entrada nos Estados Unidos, o governo americano não confirmou que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro tenha recebido asilo político.
“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, declarou a autoridade americana.
A manifestação oficial ocorreu depois que o advogado mexicano Simón Levy, identificado como aliado de Trump, anunciou nas redes sociais que Washington havia autorizado a concessão de asilo político ao senador brasileiro.
No entanto, a emissão de vistos e o reconhecimento de asilo político são procedimentos diferentes. Até o momento, segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles, não há confirmação oficial de que o governo americano tenha concedido proteção internacional ao parlamentar.
Flávio deixou o Brasil após decisão de Alexandre de Moraes
A movimentação ganhou repercussão depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou, na segunda-feira (26), que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas, além de proibir sua saída do território nacional.
Segundo a reportagem, o senador embarcou em um voo com destino à Flórida, nos Estados Unidos, contrariando a determinação judicial.
Como os documentos não foram entregues dentro do prazo estabelecido, a Polícia Federal realizou o cancelamento dos passaportes nesta terça-feira (27).
Apesar do descumprimento da ordem judicial, Flávio não era considerado foragido naquele momento, uma vez que não havia mandado de prisão expedido contra ele.
O parlamentar é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que também envolve o advogado Willer Tomaz. Flávio Bolsonaro nega ter cometido irregularidades.
PL convoca reunião de emergência após saída do senador
A viagem de Flávio Bolsonaro também provocou uma movimentação emergencial dentro do Partido Liberal.
Diante da repercussão do caso, dirigentes da legenda convocaram uma reunião extraordinária nesta terça-feira (27), na sede nacional do partido, em Brasília.
De acordo com o Metrópoles, integrantes da própria sigla foram surpreendidos pela notícia de que o senador havia deixado o Brasil.
Entre os envolvidos nas articulações estavam o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação da campanha presidencial de Flávio.
No início da manhã, Marinho chegou a negar que o parlamentar tivesse viajado para o exterior. Posteriormente, informações obtidas pelo portal junto a pessoas próximas à família Bolsonaro apontaram que o senador havia embarcado para os Estados Unidos.
A saída ocorreu apenas dois dias depois do segundo turno da eleição presidencial, disputado no domingo (25), quando Flávio Bolsonaro foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
Após a divulgação do resultado, Flávio chegou a anunciar que buscaria a anulação da eleição. A direção do PL, entretanto, reconheceu oficialmente o resultado das urnas.
Aliado de Trump fala em asilo político e oposição a Lula nos EUA
Antes da confirmação sobre a emissão dos vistos, o advogado mexicano Simón Levy havia afirmado que o governo Trump autorizara a concessão de asilo político a Flávio Bolsonaro.
“Posso confirmar que o governo do Presidente Trump autorizou a concessão de asilo político a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O regime autoritário do Brasil ficará furioso”, escreveu Levy nas redes sociais.
A declaração, entretanto, não foi acompanhada de documentos ou informações oficiais que comprovassem a suposta concessão do benefício.
Em artigo publicado na segunda-feira (26), intitulado Operação Alba, Levy também afirmou que Flávio Bolsonaro poderia comandar, a partir dos Estados Unidos, uma articulação de oposição ao governo Lula.
“Flávio Bolsonaro está deixando o Brasil e, segundo minhas fontes, liderará a resistência a partir dos Estados Unidos”, escreveu.
O advogado ainda alegou que o senador já estaria em segurança em território americano e que uma operação de proteção estaria em andamento, supostamente com participação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Essas afirmações, contudo, não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades americanas.
Autorização americana amplia repercussão do caso
A confirmação de que o governo Trump permitirá a entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares nos Estados Unidos acrescenta um novo elemento à crise política e jurídica envolvendo o senador.
O episódio reúne a saída do parlamentar do Brasil após uma proibição judicial, o cancelamento de seus passaportes pela Polícia Federal e as declarações de aliados de Trump sobre uma possível articulação política em território americano.
Embora o Departamento de Estado tenha confirmado a emissão dos vistos, permanece sem esclarecimento oficial a existência de um eventual pedido de asilo político e qual seria a situação migratória definitiva do senador nos Estados Unidos.
Fonte: Metrópoles.







