
A greve dos rodoviários de Manaus segue sem previsão de término, mesmo após a liberação parcial da frota de ônibus na noite desta segunda-feira (20). O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários informou que o movimento paredista será mantido até que os salários em atraso sejam quitados e uma série de reivindicações da categoria seja atendida, incluindo a participação da Prefeitura de Manaus nas negociações para buscar uma solução definitiva para a crise do transporte coletivo.
O anúncio foi feito pelo presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, durante coletiva de imprensa e reforçado à noite, em entrevista ao Programa Valdir Corrêa, da FM do Povo, quando confirmou o retorno de 40% da frota às ruas para atender principalmente os trabalhadores que deixavam o expediente.
Segundo o dirigente sindical, a decisão de liberar parte dos ônibus teve caráter humanitário e buscou amenizar os transtornos enfrentados pelos passageiros que ficaram sem transporte após a paralisação total iniciada por volta das 14h.
“Eu sei que vou ser criticado pela minha categoria, mas não é justo o pessoal que saiu de casa ficar sem ônibus. Vou determinar que 40% da frota volte à circulação”, afirmou Givancir.
Greve continua e depende de acordo
Apesar da circulação parcial dos coletivos, o sindicato deixou claro que o movimento grevista permanece. Cerca de 60% da categoria continua mobilizada, enquanto os ônibus liberados foram direcionados, prioritariamente, para atender a região central da capital e facilitar o retorno dos trabalhadores para casa.
A entidade afirma que a paralisação somente será encerrada quando houver garantias concretas de que os direitos dos trabalhadores serão respeitados.
“O sindicato fez de tudo para não parar a cidade. Buscamos a Justiça, buscamos o diálogo, mas os trabalhadores continuam sem receber. Eles trabalharam e precisam ser pagos”, declarou o presidente da entidade.
Salários atrasados são apenas parte da pauta
Embora os atrasos salariais tenham sido o estopim da paralisação, o sindicato afirma que a crise vai além da questão financeira.
Mesmo que os salários sejam quitados, a categoria informou que a greve não será suspensa automaticamente. Os trabalhadores exigem a participação direta da Prefeitura de Manaus nas negociações e a formalização de compromissos para solucionar problemas considerados históricos no sistema de transporte coletivo.
Entre as principais reivindicações apresentadas pelo sindicato estão:
pagamento integral dos salários atrasados;
suspensão das demissões de cobradores;
reforma dos terminais de ônibus, classificados como insalubres;
pagamento das horas trabalhadas em feriados;
gratificação em dinheiro aos motoristas que acumulam a função de cobrador;
extensão do auxílio-creche de R$ 300 aos trabalhadores homens com filhos pequenos.
Sindicato critica empresas e questiona multas
Durante a coletiva, Givancir Oliveira afirmou que os atrasos nos pagamentos se repetem há anos e responsabilizou as empresas concessionárias pela situação enfrentada pelos trabalhadores.
Segundo ele, muitos rodoviários estão com dificuldades para honrar despesas básicas, como aluguel e alimentação, devido à falta de pagamento dos salários.
O dirigente também criticou o tratamento dado às empresas e ao movimento sindical no âmbito judicial. De acordo com ele, enquanto as empresas estão sujeitas a multa diária de R$ 5 mil pelos atrasos salariais, o sindicato poderá sofrer penalidades de até R$ 100 mil por hora caso descumpra eventual determinação judicial para encerrar a greve.
Categoria aguarda avanço das negociações
Em nota oficial, o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários informou que permanece aberto ao diálogo e espera que as negociações avancem para permitir um acordo que contemple as reivindicações da categoria e possibilite o encerramento da paralisação.
Enquanto isso, a circulação parcial da frota busca reduzir os impactos da greve sobre milhares de usuários do transporte coletivo, embora o funcionamento do sistema permaneça comprometido em diversos pontos da capital amazonense.







