Quatro pessoas foram presas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) suspeitas de participar de um esquema que teria criado centenas de cadastros falsos em um aplicativo de transporte. De acordo com as investigações, os perfis eram utilizados para permitir que pessoas impedidas de trabalhar pela plataforma, incluindo indivíduos sem habilitação ou com restrições relacionadas a antecedentes criminais, atuassem como motoristas usando informações falsas ou pertencentes a terceiros.

As prisões ocorreram durante a Operação Last Ride, deflagrada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado. Três suspeitos foram localizados em Sobradinho, no Distrito Federal, e outro foi preso em Rio Verde, Goiás. Entre os detidos está o homem apontado pelos investigadores como o principal articulador da estrutura criminosa.

Segundo a PCDF, o grupo mantinha centenas de contas irregulares e teria estabelecido uma divisão de tarefas para manter o funcionamento do esquema. Os investigados seriam responsáveis pela criação e manutenção dos perfis, utilizando documentos, informações pessoais e outros dados falsificados ou pertencentes a pessoas que não tinham relação com a atividade.

A estratégia permitia esconder a identidade real dos motoristas que utilizavam as contas. Dessa forma, pessoas que não poderiam prestar o serviço por causa das regras da plataforma conseguiam acessar o aplicativo e realizar viagens normalmente, apesar das restrições existentes em seus próprios cadastros.

A investigação aponta que a fraude provocou um prejuízo considerado significativo à empresa responsável pelo aplicativo. O valor, entretanto, ainda está sendo calculado pelos investigadores, que deverão analisar documentos e movimentações financeiras para dimensionar a extensão do esquema.

Além do prejuízo financeiro, a Polícia Civil chama atenção para os riscos provocados pela utilização de identidades falsas no transporte de passageiros. Em uma eventual ocorrência durante uma viagem, por exemplo, os registros da plataforma poderiam apontar para uma pessoa que não estava efetivamente conduzindo o veículo.

Essa situação poderia dificultar a identificação do verdadeiro motorista e comprometer as investigações de eventuais crimes cometidos durante as corridas. Para a polícia, a utilização de dados de terceiros também representa uma ameaça à segurança dos passageiros e ao próprio sistema de controle das plataformas.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes encontraram uma grande quantidade de dispositivos eletrônicos, além de documentos e cartões bancários. Todo o material recolhido será submetido à análise pericial.

Os investigadores pretendem utilizar os dados encontrados nos equipamentos para identificar novos cadastros fraudulentos, descobrir possíveis integrantes que ainda não foram localizados e verificar a existência de outras vítimas. As autoridades também deverão analisar eventuais movimentações financeiras relacionadas à criação e comercialização dos perfis falsos.

A Justiça determinou ainda medidas sobre veículos vinculados aos investigados. Alguns automóveis foram submetidos a restrições judiciais, enquanto valores relacionados às supostas fraudes foram bloqueados. A medida tem como objetivo impedir que recursos obtidos com o esquema sejam transferidos, ocultados ou movimentados antes do avanço das investigações.

Os quatro presos são investigados por crimes de furto qualificado mediante fraude, associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, considerando as penas máximas previstas individualmente para os crimes investigados e a possibilidade de aplicação conjunta, a soma pode chegar a 32 anos de prisão.

A operação recebeu o nome de Last Ride, expressão em inglês que significa “última viagem”. Segundo a polícia, a denominação faz referência ao objetivo de interromper definitivamente a atuação do grupo no sistema de transporte por aplicativo.

As investigações continuam para identificar outros possíveis participantes, descobrir como os dados utilizados nos cadastros eram obtidos e comercializados, calcular o prejuízo causado à empresa e localizar bens e valores que possam ter sido adquiridos ou movimentados com recursos provenientes das fraudes.

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