
A Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico ultraconservador excomungado pelo Vaticano na última quinta-feira (2), afirmou que acredita em uma futura reconciliação com a Igreja Católica. A expectativa foi manifestada pelo padre Georg Kopf durante uma missa celebrada neste domingo (5), na cidade de Wil, no nordeste da Suíça.
Ao falar aos fiéis, o sacerdote declarou que a situação poderá mudar com a eleição de um novo pontífice. Segundo ele, a experiência vivida durante o pontificado de Bento XVI demonstra que uma reaproximação é possível.
Kopf afirmou ainda esperar que um futuro papa valorize novamente as tradições defendidas pela SSPX, como a liturgia tradicional e outras práticas preservadas pelo grupo. Apesar do otimismo, reconheceu que essa mudança ainda depende dos rumos que a Igreja Católica adotará nos próximos anos.
A excomunhão foi aplicada depois que a sociedade ordenou quatro bispos sem autorização do papa, prática considerada uma grave violação do direito canônico. De acordo com o Vaticano, houve tentativas de diálogo antes da decisão, mas a organização manteve as ordenações, o que levou à punição.
Mesmo após a medida, o padre negou que a SSPX tenha pretendido criar uma igreja paralela ou romper com Roma. Segundo ele, as ordenações foram realizadas por entender que seriam necessárias para preservar a missão religiosa do grupo e atender aos fiéis.
Fundada em 1970, na Suíça, a Sociedade de São Pio X reúne católicos ligados à ala tradicionalista da Igreja. Seus integrantes defendem, entre outras práticas, a celebração da missa em latim e criticam reformas introduzidas após o Concílio Vaticano II, além de rejeitarem o diálogo institucional com outras religiões.
O relacionamento entre a SSPX e o Vaticano já enfrentou outras crises. Em 1988, o fundador da organização, o arcebispo Marcel Lefebvre, também ordenou quatro bispos sem autorização do papa João Paulo II, sendo excomungado juntamente com os novos bispos.
Em 2009, Bento XVI revogou essas excomunhões em uma tentativa de restabelecer o diálogo entre a Santa Sé e o grupo. Agora, diante da nova punição, dirigentes da SSPX afirmam acreditar que uma futura mudança no comando da Igreja poderá abrir caminho para outra aproximação.
Com informações de Metrópoles






