O zagueiro Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção paraguaia, utilizou as redes sociais nesta terça-feira (3) para cobrar providências do governo e da Justiça do Paraguai diante de uma crise financeira envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias do país.

O jogador assinou uma carta aberta ao lado de outros atletas da seleção nacional. No documento, os representantes do futebol paraguaio afirmam que também foram afetados pela situação e pedem uma resposta rápida e transparente das autoridades.

A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar a intervenção no Ueno Bank, depois de identificar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido.

O banco possui aproximadamente três milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do Paraguai, e administra mais de US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões) em recursos públicos. A resolução determinou o bloqueio dos ativos e passivos da instituição.

Jogadores afirmam que também foram prejudicados

No comunicado, os atletas demonstraram preocupação com os impactos da crise sobre as famílias paraguaias e afirmaram que compartilham da indignação da população.

“Queremos que saibam de algo com clareza: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como inúmeras famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afetam tantos compatriotas”, diz um trecho da carta.

Os jogadores também defenderam que as autoridades priorizem os trabalhadores e as pessoas que mantinham suas economias na instituição financeira, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade.

O grupo exigiu que o governo e a Justiça atuem de forma imediata e transparente para esclarecer o caso e proteger os cidadãos afetados.

Veja a nota na íntegra

Ao povo paraguaio:

Somos jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol, mas, acima de tudo, somos paraguaios. Filhos desta terra que amamos.

E hoje, como paraguaios antes de sermos jogadores de futebol, sentimos a necessidade de falar com vocês de coração aberto e sem rodeios, diante da crise financeira que está atingindo nosso país.

Isso nos dói profundamente. Dói ver milhares de famílias passando por angústia, incerteza e preocupação. Ver nossa gente preocupada em conseguir chegar ao fim do mês, com o trabalho e com o futuro de seus filhos. Por trás de cada número existem pessoas, famílias, sonhos e toda uma vida de esforço que merece respeito.

Queremos que saibam de algo com clareza: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como inúmeras famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afetam tantos compatriotas.

Mas, neste momento, nossa maior preocupação não somos nós mesmos.

Nossa prioridade absoluta deve ser a população trabalhadora. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas ali. As pessoas de menor poder aquisitivo que hoje estão em situação de extrema vulnerabilidade. São elas que mais precisam de apoio e que devem estar em primeiro lugar diante de qualquer medida que seja tomada.

Por isso, hoje não falamos de futebol. Hoje falamos como povo.

Exigimos firmemente que o governo e a Justiça ajam de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente. Não se pode hesitar quando está em jogo o esforço de pessoas honestas.

Por meio do esporte, entramos em campo todos os dias para mostrar ao mundo nossos valores, nossa garra e nossa verdadeira identidade paraguaia.

Trabalhamos duro para levar a bandeira do nosso país ao lugar mais alto e honrar nossa gente.

Não é justo, e não vamos permitir, que as ações de alguns poucos indivíduos indignos manchem o nome e a reputação de todo o Paraguai.

Gustavo Gómez atua no Palmeiras desde 2018 e é um dos principais nomes da seleção paraguaia. O zagueiro se tornou uma das principais lideranças do futebol do país e participou da manifestação coletiva dos atletas em meio à crise financeira.

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