Garrafas de cerveja Heineken estão expostas em uma prateleira de um supermercado • em Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, em 29 de outubro de 2024 REUTERS/Dado Ruvic

Heineken nomeou Rafael Oliveira como seu novo presidente-executivo e presidente do conselho de administração nesta terça-feira (23), marcando a primeira vez que a cervejaria ​holandesa nomeia alguém de fora para o cargo de liderança, em ​um momento em que as empresas do setor de bebidas alcoólicas buscam impulsionar as vendas por meio de mudanças na liderança.

Oliveira é CEO da JDE Peet’s, fabricante holandesa de café e chá, desde 2024.

Ele passará a integrar a Heineken, a segunda maior cervejaria do mundo, por um período de quatro anos a partir de 1º de outubro, informou a empresa, acrescentando que espera que ele acelere a estratégia já definida para 2030.

“Após uma rigorosa busca global, o conselho de supervisão escolheu Rafa por unanimidade por sua combinação ⁠única de visão estratégica, experiência operacional e perspicácia ​financeira”, afirmou a Heineken.

As ações da Heineken subiam cerca de 3%, superando o desempenho do mercado em geral ​e atingindo seu nível mais alto desde março.

A incerteza sobre quem lideraria a fabricante das marcas Tiger e Sol, além de sua ⁠cerveja lager homônima, pesou sobre as ações da empresa.

O ex-CEO ⁠Dolf van den Brink, que liderou a Heineken por seis anos, anunciou sua renúncia inesperada em ​janeiro, ‌e a empresa está sem presidente-executivo desde o início de junho.

Novo CEO precisa injetar energia reovada

A saída de Van den Brink foi ⁠uma das várias ocorridas no setor de bens de consumo ao longo do último ano, incluindo em grandes concorrentes do setor de bebidas, como a Diageo e a Remy Cointreau , onde comitês de contratação e investidores recorreram a candidatos externos na esperança de que eles possam ‌injetar energia ⁠renovada.

Oliveira terá a tarefa ‌de liderar a Heineken em um plano para cortar 6.000 empregos, reanimar os volumes de vendas apesar da previsão de queda na demanda global por cerveja e alcançar os retornos para os investidores da rival Anheuser-Busch InBev .

O desafio é ainda maior, já que todo ⁠o setor enfrenta o aumento vertiginoso do custo de vida, mudanças nos ⁠hábitos de consumo de bebidas alcoólicas e preocupações com os efeitos do álcool na saúde, além de ameaças emergentes, como medicamentos para emagrecer, que podem afetar ‌o consumo de bebidas alcoólicas.

Em comunicado, Oliveira afirmou que a estratégia da Heineken para 2030, segundo a qual a cervejaria prometeu alcançar maior crescimento com menos recursos, era uma plataforma sólida para o futuro.

“Estou confiante de que aceleraremos o crescimento, impulsionaremos a produtividade e prepararemos a Heineken para o futuro, conquistando o coração dos consumidores em todo o mundo”, disse ele.

A Heineken informou que ‌Oliveira possui duas décadas de experiência tanto em mercados desenvolvidos quanto em mercados emergentes, além de um histórico de implementação de estratégias focadas e melhoria de desempenho.

Antes de ingressar na JDE Peet’s, ele atuou como presidente de mercados internacionais na Kraft ⁠Heinz .

Sólida experiência em bens de consumo, não em bebidas alcoólicas

Analistas afirmaram que, além de uma sólida experiência em bens de consumo, ele também possuía experiência anterior em mercados de capitais, o que lhe dá uma vantagem ao buscar gerar retornos para alguns investidores insatisfeitos ​da Heineken.

Em apenas 17 meses na JDE Peet’s, Oliveira “demonstrou uma clara capacidade de diagnosticar e redefinir estratégias rapidamente”, afirmou Laurence Whyatt, analista do ​Barclays.

Oliveira, no entanto, carece de experiência em lidar com a dinâmica específica do setor de cerveja e bebidas alcoólicas, o que, segundo alguns analistas, representa um risco.

“Como alguém de fora do setor de cerveja e da Heineken, ele terá muito a provar”, escreveram analistas do ING em uma nota.

Com informações da CNN Brasil.

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