Agência Brasil

O número de novos casos de HIV no mundo caiu 42,9% desde 2010 e atingiu o menor nível desde o início da epidemia, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). No mesmo período, as mortes relacionadas à Aids recuaram 56%, refletindo a ampliação do acesso ao tratamento antirretroviral. Apesar dos avanços, a ONU alerta que cerca de 9 milhões de pessoas ainda não recebem tratamento e que cortes no financiamento internacional colocam em risco a meta de eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030.

O levantamento aponta que, em 2025, foram registrados aproximadamente 1,2 milhão de novos casos de HIV em todo o mundo, contra 2,1 milhões em 2010. As mortes por complicações da Aids também caíram de 1,3 milhão para 570 mil no período, o menor número registrado em três décadas.

Atualmente, cerca de 41 milhões de pessoas vivem com HIV no planeta. A cobertura do tratamento antirretroviral avançou significativamente, passando de 24% em 2010 para 78% em 2025. Mesmo assim, os resultados ainda ficaram abaixo das metas estabelecidas pela ONU para este ano. A expectativa era reduzir as novas infecções para 200 mil casos anuais e as mortes para 170 mil, números que ainda estão distantes da realidade.

O relatório também destaca os avanços na prevenção da transmissão do vírus de mãe para filho. Em 2025, 87% das gestantes vivendo com HIV tiveram acesso às medidas preventivas, contra 51% em 2010. Com isso, cerca de 4,8 milhões de infecções infantis foram evitadas e os casos entre crianças caíram 69%.

Apesar desse progresso, as crianças continuam entre os grupos mais vulneráveis. Apenas 54% das crianças que vivem com HIV recebem tratamento, deixando mais de 580 mil sem acesso aos medicamentos. Embora representem apenas cerca de 3% das pessoas infectadas, elas concentraram 11% das mortes relacionadas à Aids registradas no último ano.

As desigualdades no acesso aos serviços de saúde também permanecem. Globalmente, os homens apresentam menor cobertura de tratamento do que as mulheres, com índices de 74% e 84%, respectivamente. Em algumas regiões, como América Latina, Oriente Médio e Norte da África, o cenário é inverso, com mulheres enfrentando maiores dificuldades para obter atendimento.

Segundo o Unaids, populações consideradas mais vulneráveis, como trabalhadores do sexo, homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e usuários de drogas, continuam encontrando barreiras para acessar serviços de prevenção e tratamento, mesmo em países que apresentam elevada cobertura na população em geral.

O relatório faz um alerta especial para a redução dos investimentos destinados ao combate ao HIV. Em diversos países, especialmente na África Subsaariana, onde grande parte dos programas depende de financiamento externo, os cortes já provocam impactos relevantes. Entre 2024 e 2025, o número de pessoas utilizando a profilaxia pré-exposição (PrEP) caiu 38% em 62 países analisados. Os recursos destinados à distribuição de preservativos diminuíram 93%, enquanto a realização de testes para HIV recuou 22% em países com alta prevalência da doença. Além disso, os investimentos voltados à promoção dos direitos humanos e ao enfrentamento da discriminação sofreram redução de 80%.

Para o Unaids, manter e ampliar o financiamento será essencial para evitar retrocessos e garantir que o objetivo global de acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 permaneça viável.

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