
Dois imóveis vizinhos ao prédio que desabou na noite de sexta-feira (6), no bairro do Brás, região central de São Paulo, permanecem interditados neste sábado (7). A medida foi adotada após uma avaliação técnica identificar danos provocados pelo colapso da estrutura.
Segundo o tenente-coronel Barelli, comandante do 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, um engenheiro realizou uma perícia nos imóveis durante a tarde. A vistoria apontou que a construção localizada à esquerda do prédio atingido apresenta avarias graves.
“O do lado esquerdo está bem grave, a perícia já detectou isso e foi feito o laudo de interdição. Do lado direito, possivelmente vai ter que ter uma nova análise pericial e [talvez] pode ser liberado para reforma”, explicou.
A Defesa Civil informou que a interdição foi necessária por segurança, enquanto as equipes trabalham na retirada dos materiais que ficaram no interior do estabelecimento atingido.


Bombeiros continuam buscas entre os escombros
Os trabalhos de resgate e remoção de entulho continuam no local, com a participação de bombeiros e funcionários da Prefeitura de São Paulo. Caminhões são utilizados para transportar os materiais retirados da área.
A possibilidade de encontrar novas vítimas sob os escombros ainda não foi totalmente descartada, embora seja considerada cada vez menor pelas equipes de resgate. Cães farejadores que participaram das buscas na manhã de sábado não identificaram sinais de outras pessoas soterradas.
O prédio abrigava uma loja de tecidos e teve parte da estrutura destruída durante o desabamento. Inicialmente, uma parte da fachada permaneceu de pé, mas o restante da parede, que apresentava risco de queda sobre os profissionais, acabou sendo derrubado pelos bombeiros.
Também foi constatado que o estabelecimento não possuía alvarás de funcionamento da Prefeitura de São Paulo nem do Corpo de Bombeiros.
Relembre o desabamento
O acidente aconteceu na noite de sexta-feira (6), quando 35 pessoas estavam no interior do prédio. Desse total, oito conseguiram sair por conta própria, enquanto outras 27 foram resgatadas pelos bombeiros. Todas sobreviveram.
Quatro vítimas foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca, na zona leste da capital, sem risco de morte.
Um dos sobreviventes, o angolano Jhony Wanga, que trabalhava no carregamento de tecidos, contou que os funcionários utilizaram os celulares para pedir ajuda enquanto estavam entre os escombros.
“Quem tinha celular, tava ligando para os bombeiros”, relatou ao Metrópoles.
Segundo ele, as equipes de socorro chegaram poucos minutos depois das ligações. “Ligamos, depois de sete, oito minutos o socorro chegou no tempo certo. Nós todos estávamos ligando. Esse estava ligando, outro estava ligando, mais de 15 chamadas aí”, contou.
Jhony retornou ao local na manhã deste sábado para tentar recuperar uma mochila que ficou soterrada. Ele também apresentou uma hipótese sobre o que pode ter provocado o desabamento: o excesso de peso na estrutura.
“Então, pra mim o que causou isso foi o peso, que os chineses [donos do estabelecimento] queriam levar tudo no terceiro andar, no último andar do prédio. Então, tinha muito peso. Com aquele peso é que causou isso”, afirmou.
A hipótese apresentada pelo sobrevivente ainda não foi confirmada pelas autoridades. As causas do desabamento seguem sob apuração.








