Ricardo Stuckert/ campanha Lula e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

As eleições brasileiras, que acontecem neste domingo (4/10), estão no centro das atenções da imprensa internacional. O foco principal recai sobre o resultado da disputa presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador  Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais candidatos neste primeiro turno.

Europa

O britânico The Guardian destacou a notícia: “Brasil vai às urnas em eleição decisiva para o futuro da América Latina” na manchete desta manhã. A reportagem diz que a disputa pelo cargo de presidente da República está altamente polarizada e pode mudar “não apenas os rumos do maior país da América Latina, mas de toda a região”.

“Lula e Bolsonaro têm se alternado na liderança na reta final, tornando o resultado imprevisível. Nos últimos dias, ambos têm se concentrado em persuadir os eleitores indecisos na esperança de alcançar 50% mais um voto; caso nenhum deles consiga, haverá um segundo turno em 25 de outubro”, afirma o jornal.

O jornal  menciona ainda que a campanha de Flávio foi “marcada por um escândalo no qual o senador foi flagrado em uma gravação pedindo a um banqueiro acusado de corrupção US$ 26,8 milhões (R$ 100 milhões) para financiar um filme sobre seu pai , além de especulações de que Bolsonaro poderia retirar o status de padroeira da venerada santa do país, mas, mesmo assim, ele se manteve altamente competitivo”.

Sobre Lula, o britânico afirmou que a campanha do presidente brasileiro também foi “afetada por alegações de corrupção – ainda sob investigação – envolvendo seu filho e um ex-assessor, bem como um escândalo envolvendo juízes da Suprema Corte , que, apesar de não ter nenhuma ligação com Lula, é visto como um fator que alimenta um voto ‘antissistema’ e, por extensão, um voto anti-governo”. 

Para o francês Le Monde, o Brasil é o maior país da América Latina e um dos últimos bastiões progressistas da região, ao lado do México, e enfrenta uma campanha presidencial sem brilho e uma votação incerta em meio a preocupações com a interferência dos EUA. “Apesar das implicações geopolíticas sem precedentes da eleição presidencial, o possível resultado, moldado principalmente por questões internas, permanece altamente incerto. Ao longo da campanha, Lula e Flávio Bolsonaro mantiveram-se praticamente empatados nas pesquisas”, afirmou o jornal.

O espanhol El Pais também manchetou seu site com notícias das eleições brasileiras, destacando a reportagem “O Brasil decide seu futuro entre Lula e Bolsonaro, um estadista decadente e filho de um direitista radical”. A publicação ressaltou que esse é o terceiro duelo eleitoral consecutivo entre a esquerda democrática, representada por Lula, e a extrema-direita da família Bolsonaro. “Os protagonistas mudam, mas não a essência”, declarou.

América

O argentino Clarín também ressalta a imprevisibilidade do cenário: “Estas são as eleições mais acirradas da história democrática do gigante sul-americano. Separados por três pontos percentuais, o atual presidente e o senador do Rio de Janeiro apresentam a menor diferença registrada entre os principais candidatos nas últimas pesquisas do Datafolha antes do primeiro turno desde 1989. Aquele foi o ano das primeiras eleições presidenciais após o retorno à democracia, observa o site da Folha de S.Paulo . Para o segundo turno, a diferença, segundo o instituto de pesquisa, é de apenas um ponto percentual”.

Já o norte-americano The Wall Street Journal analisou o futuro da esquerda brasileira diante do cenário eleitoral. Sob o título: “Lula é a última esperança da esquerda brasileira — e seu maior problema”, o jornal afirma que o presidente de 80 anos tem afastado possíveis sucessores. Se perder a reeleição, seu partido poderá ficar fora do poder por anos. Com Metrópoles.

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