Um homem fotografa peças de um míssil não identificado, que as autoridades ucranianas acreditam ter sido fabricado na Coreia do Norte e utilizado em um ataque em Kharkiv 6 de janeiro de 2024 • REUTERS/Vyacheslav Madiyevskyy

Uma unidade de mísseis da Coreia do Norte começou a ser posicionada no oeste da Rússia e poderá operar 120 mísseis balísticos e seis lançadores para ataques contra a Ucrânia, segundo informações divulgadas por uma autoridade da inteligência militar ucraniana.

De acordo com Andrii Cherniak, da Direção Principal de Inteligência da Ucrânia, a Rússia pretende instalar a unidade na região de Voronezh, integrando-a à 112ª Brigada de Mísseis. O grupo seria composto por cerca de 90 militares norte-coreanos.

Cooperação militar entre Rússia e Coreia do Norte

Caso a informação seja confirmada, a medida representará uma nova ampliação da cooperação militar entre Moscou e Pyongyang, intensificada desde o início da guerra na Ucrânia.

Segundo Cherniak, a Coreia do Norte já enviou à Rússia um novo lote de 40 mísseis balísticos KN-23 e KN-24, além de militares. A quantidade final de armamentos e os detalhes da operação ainda seriam discutidos em negociações entre os dois governos.

Uma fonte ouvida pela Reuters afirmou que os Estados Unidos têm conhecimento da mobilização, mas não forneceu detalhes. A CIA preferiu não comentar o caso, enquanto a Casa Branca, o Ministério da Defesa da Rússia e a representação norte-coreana na ONU não responderam aos pedidos de posicionamento.

Mísseis preocupam defesa ucraniana

Segundo a inteligência ucraniana, a Rússia voltou a utilizar mísseis norte-coreanos na semana passada, realizando os primeiros ataques com esse tipo de armamento desde agosto de 2025.

Especialistas avaliam que o reforço representa um desafio adicional para a Ucrânia, principalmente pela limitação de sistemas capazes de interceptar mísseis balísticos.

O pesquisador Rob Lee, do Foreign Policy Research Institute, afirmou que a ampliação do arsenal balístico russo aumenta a vulnerabilidade da defesa aérea ucraniana.

“A defesa contra mísseis balísticos é uma das maiores vulnerabilidades da Ucrânia; portanto, qualquer aumento na quantidade de mísseis balísticos que o país enfrenta representará um desafio ainda maior”, afirmou.

Segundo ele, a preocupação cresce com a aproximação do inverno europeu, período em que a Rússia costuma intensificar ataques contra a infraestrutura energética ucraniana.

Armas têm maior alcance, mas menor precisão

Conforme Cherniak, os mísseis KN-23 e KN-24 possuem maior alcance e capacidade de carga do que o míssil russo Iskander, embora sejam menos precisos.

Autoridades ucranianas afirmam que esse tipo de armamento tem sido associado a ataques com elevado número de vítimas civis.

A inteligência da Ucrânia também estima que a Coreia do Norte já forneceu cerca de 150 mísseis KN-23 e KN-24 à Rússia desde o fim de 2023.

Além disso, aproximadamente 9.500 soldados norte-coreanos permanecem posicionados na região russa de Kursk, embora, segundo Cherniak, eles não estejam participando diretamente das operações militares contra a Ucrânia neste momento.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou recentemente que Moscou pretende receber outros 30 mil militares norte-coreanos, reforçando ainda mais a parceria estratégica entre os dois países.

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