O funeral das vítimas de um suposto ataque dos Estados Unidos contra uma festa de casamento foi realizado nesta quinta-feira (3), na cidade iraniana de Kuhestak. O governo do Irã acusa as forças militares americanas de terem atingido civis durante a cerimônia. Segundo autoridades iranianas, cinco pessoas morreram e cerca de 70 ficaram feridas.

A cerimônia de despedida reuniu familiares e moradores da região, que demonstraram revolta e tristeza com o episódio. Um morador ouvido pela agência semioficial Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, lamentou que uma celebração tenha terminado em tragédia. Segundo ele, o ataque transformou um momento de alegria em luto.

Inicialmente, o Comando Central dos Estados Unidos negou que as forças americanas fossem responsáveis pelo ataque. Nesta quinta-feira, porém, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que Washington está investigando o caso. Apesar disso, Vance demonstrou desconfiança em relação às informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa estatal iraniana.

Segundo a televisão estatal do Irã, o número de mortos aumentou de quatro para cinco depois que uma mulher de 22 anos, que havia sido internada em um hospital após o ataque, não resistiu aos ferimentos. As autoridades iranianas afirmam ainda que aproximadamente 70 pessoas ficaram feridas.

Os Estados Unidos sustentam que os ataques realizados contra o Irã tiveram como alvo exclusivamente instalações militares. A ofensiva americana, iniciada na terça-feira (1º), é apresentada por Washington como uma resposta a ataques atribuídos ao governo iraniano contra embarcações no Estreito de Ormuz.

O conflito provocou uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. Na quarta-feira (2), o Irã lançou ataques contra instalações militares americanas localizadas no Iraque, na Jordânia, no Catar, no Barein e no Kuwait. Nesta quinta-feira (3), os ataques iranianos prosseguiram apenas no Kuwait, onde uma das bases mantidas pelos Estados Unidos foi alvo da ofensiva.

A intensificação dos confrontos ocorre em meio a preocupações sobre a disponibilidade de armamentos utilizados pelas forças americanas. No fim de julho, o presidente Donald Trump havia determinado uma pausa temporária nos ataques contra o Irã depois que veículos de imprensa dos Estados Unidos divulgaram informações sobre uma possível redução nos estoques de munições.

As movimentações militares americanas no Golfo Pérsico diminuíram significativamente durante agosto. Com a retomada dos confrontos nesta semana, Trump voltou a abordar publicamente a capacidade militar dos Estados Unidos e negou que o país esteja enfrentando falta de munição.

Em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira, o presidente americano criticou veículos da imprensa dos Estados Unidos que, segundo ele, estariam divulgando informações incorretas sobre a operação militar contra o Irã. Trump afirmou que o país dispõe de grandes quantidades de munições de médio e alto poder e disse que a produção de armamentos ocorre atualmente em níveis que classificou como inéditos.

Na mesma publicação, o presidente americano voltou a criticar o ex-presidente Joe Biden pela ajuda militar fornecida à Ucrânia durante a guerra contra a Rússia. Trump afirmou que o governo anterior teria enviado aos ucranianos uma quantidade de munições superior à utilizada pelos Estados Unidos no conflito com o Irã.

O republicano também declarou que pretende cobrar de volta valores que, segundo ele, chegaram a centenas de bilhões de dólares destinados à Ucrânia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Além da ofensiva militar, o governo americano ampliou a pressão econômica sobre Teerã. O presidente Donald Trump endureceu as sanções contra o Irã e passou a ameaçar países e empresas que continuarem mantendo relações comerciais com o governo iraniano.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que países que continuarem realizando negócios com Teerã poderão sofrer consequências e ficar sujeitos a novas restrições impostas por Washington.

A pressão ocorre enquanto a economia iraniana enfrenta dificuldades. Apesar do enfraquecimento econômico e do aumento das sanções internacionais, o regime teocrático iraniano continua no poder. As autoridades de Teerã, além de cobrarem o fim das medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos, também defendem a possibilidade de estabelecer taxas sobre navios que utilizam o Estreito de Ormuz.

A região é considerada estratégica para o comércio internacional de petróleo, e qualquer ameaça à circulação de embarcações pelo estreito pode provocar impactos nos mercados globais. A nova escalada militar já teve reflexos sobre os preços da commodity.

Nesta quinta-feira (3), os contratos futuros do petróleo Brent chegaram a ser negociados a US$ 96 por barril. O movimento marcou o quarto dia consecutivo de alta nos preços, em meio aos temores de que a intensificação do conflito possa comprometer o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

O suposto ataque contra a festa de casamento permanece sob investigação. Enquanto o governo iraniano responsabiliza os Estados Unidos e afirma que civis foram atingidos, Washington ainda não confirmou a autoria e informou que apura as circunstâncias do episódio. A divergência sobre o ocorrido ocorre em um momento de forte escalada militar e diplomática entre os dois países.

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