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O Exército do Líbano assumiu nesta segunda-feira (20) o controle de três vilarejos no sul do país que estavam sob ocupação de tropas israelenses. A medida marca o início da implementação de um acordo firmado entre Israel e Líbano para reduzir as tensões na região e representa um dos primeiros passos concretos do plano de retirada gradual das forças israelenses da área de fronteira.

A transferência do controle faz parte de um acordo composto por 14 pontos, negociado com mediação dos Estados Unidos, que busca encerrar os confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah. Segundo o Exército israelense, a operação integra o programa piloto denominado “Zona Segura”, desenvolvido em conjunto pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), pelas Forças Armadas Libanesas e por militares norte-americanos.

Em comunicado, as autoridades israelenses informaram que equipes dos três países estão coordenando as próximas etapas da implementação do acordo. A expectativa é que a cooperação permita uma transição gradual da responsabilidade pela segurança da região para o Exército libanês, reduzindo a presença militar israelense em determinadas áreas do sul do Líbano.

Os primeiros locais contemplados pelo programa são os vilarejos de Froun, Sri e Zawtar Al-Gharbiya. Segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, essas localidades funcionarão como áreas de teste para avaliar a eficácia do novo modelo de segurança antes de uma eventual ampliação para outras regiões próximas à fronteira.

Washington afirmou que continuará acompanhando de perto o processo e atuará como mediador entre as partes para garantir o cumprimento do acordo. De acordo com o governo norte-americano, a criação das chamadas “zonas-piloto” é resultado das negociações realizadas na semana passada em Roma entre representantes de Israel e do Líbano.

Apesar do avanço nas negociações, a situação na fronteira permanece delicada. Autoridades israelenses informaram que suas tropas continuarão posicionadas em uma faixa considerada estratégica ao longo da fronteira, com aproximadamente 10 quilômetros de profundidade, enquanto o Hezbollah continuar mantendo armamentos e estrutura militar na região.

O acordo ocorre após meses de confrontos intensos entre Israel e o grupo libanês Hezbollah. O conflito voltou a se intensificar no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Na ocasião, o Hezbollah lançou drones contra o território israelense em resposta à operação militar conduzida por Israel e Estados Unidos contra alvos no Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

Em resposta aos ataques, Israel ampliou sua ofensiva contra o Líbano, realizando bombardeios em diferentes regiões do país, incluindo a capital, Beirute. Paralelamente às operações aéreas, tropas israelenses avançaram por terra com o objetivo de ampliar a chamada zona de segurança na fronteira sul.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, a ofensiva deixou mais de 4,3 mil mortos e cerca de 12,2 mil feridos, além de provocar deslocamentos de milhares de moradores e danos significativos à infraestrutura de diversas cidades e vilarejos.

Em junho, com mediação dos Estados Unidos, Israel e Líbano chegaram a um novo entendimento para tentar encerrar os confrontos. O acordo prevê a retirada gradual das tropas israelenses do sul do território libanês e a substituição por militares do Exército do Líbano, que passam a ser responsáveis pela segurança da região.

Pelo tratado, as Forças Armadas libanesas deverão garantir que a área permaneça livre da presença de combatentes, armamentos e estruturas militares ligadas ao Hezbollah. O cumprimento dessa condição é considerado um dos principais pontos do acordo e será acompanhado por autoridades norte-americanas.

Embora o início da transferência dos vilarejos seja visto como um avanço diplomático, especialistas avaliam que a consolidação do acordo dependerá da capacidade das partes de manter o diálogo e evitar novos episódios de violência. A permanência de tropas israelenses em parte da fronteira e a presença do Hezbollah na região continuam sendo os principais desafios para uma estabilização duradoura do sul do Líbano.

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