
O governo federal iniciou nesta segunda-feira (20) uma série de reuniões com representantes dos setores mais afetados pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor na quarta-feira (22), levou o Palácio do Planalto a intensificar as articulações com empresários para avaliar os impactos da sobretaxa e definir novas ações de apoio às empresas e aos trabalhadores que poderão ser atingidos.
Segundo o governo, os encontros serão coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e contarão com a participação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan. O objetivo é identificar as principais demandas de cada segmento produtivo e elaborar estratégias para reduzir os efeitos econômicos da decisão norte-americana.
A expectativa é que, ao longo das reuniões, sejam discutidas alternativas para preservar a competitividade das empresas brasileiras, manter empregos e garantir a continuidade das exportações. A iniciativa também busca levantar informações detalhadas sobre os setores mais vulneráveis para orientar futuras medidas do governo.
As discussões fazem parte do Plano Brasil Soberano, criado no ano passado após o primeiro pacote de tarifas adotado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Agora, a intenção do governo é ampliar o programa, incluindo novas linhas de financiamento para capital de giro, crédito para investimentos, ações de promoção comercial e iniciativas voltadas à abertura de novos mercados internacionais para os produtos nacionais.
Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo já possui instrumentos capazes de reduzir os impactos da medida sobre empresas e trabalhadores. Segundo ele, a prioridade é evitar prejuízos à atividade econômica e preservar os empregos nos setores mais expostos ao mercado norte-americano.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também reforçou que o Brasil continuará negociando com os Estados Unidos na tentativa de reverter ou minimizar os efeitos da tarifa. Segundo ele, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo diplomático sem deixar de adotar medidas para proteger a economia brasileira.
Alckmin afirmou que o país seguirá defendendo os interesses nacionais, preservando empresas e postos de trabalho, ao mesmo tempo em que intensifica a busca por novos mercados para ampliar as exportações brasileiras e reduzir a dependência de determinados parceiros comerciais.
A nova tarifa foi anunciada em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O órgão norte-americano abriu uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que autoriza o governo dos Estados Unidos a aplicar sanções comerciais quando considera que outro país adota práticas vistas como desleais ou prejudiciais aos interesses norte-americanos.
No documento, o USTR apontou seis fatores que motivaram a decisão, entre eles questões relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal, ao acesso ao mercado brasileiro de etanol e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. A investigação concluiu que essas políticas poderiam representar obstáculos ao comércio com os Estados Unidos.
Segundo estimativas do governo brasileiro, a medida deverá afetar aproximadamente 2,4 mil empresas exportadoras e cerca de 18% das vendas brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Considerando os embarques realizados em 2024, o impacto potencial alcança cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações.
Entre os setores considerados mais vulneráveis estão os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e etanol, que possuem forte presença no comércio bilateral com os Estados Unidos e poderão enfrentar redução da competitividade diante da nova tarifa.
Enquanto mantém as negociações diplomáticas com autoridades norte-americanas, o governo brasileiro também avalia possíveis medidas de resposta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou que estuda utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil adotar contramedidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.
Apesar dessa possibilidade, integrantes do governo têm afirmado que a prioridade continua sendo uma solução negociada. A estratégia, segundo o Planalto, combina o diálogo com Washington, a adoção de medidas de apoio aos setores afetados e a diversificação dos mercados de exportação, com o objetivo de reduzir os impactos econômicos da nova sobretaxa sobre os produtos brasileiros.







